PSU PRMMT - Processo Seletivo Unificado de Residência Médica do MT — Prova 2025
Um menino de 4 anos é levado ao pronto-atendimento com inchaço progressivo em face, evoluindo para anasarca há cerca de 7 dias. O acompanhante refere urina espumosa com redução do volume urinário. Ao exame físico, apresenta edema generalizado e intenso edema de bolsa escrotal. Exames laboratoriais revelam hipoalbuminemia de 1,6 g/dL, creatinina de 1,1 mg/dL e ureia de 70 mg/dL. Diante do diagnóstico mais provável, é correto afirmar que:
Síndrome Nefrótica (criança) = anasarca, hipoalbuminemia, proteinúria, hipercolesterolemia.
O quadro clínico de edema generalizado (anasarca), urina espumosa (sugere proteinúria) e hipoalbuminemia em uma criança de 4 anos é altamente sugestivo de síndrome nefrótica. A hipercolesterolemia é um achado laboratorial comum devido à síntese hepática compensatória de lipoproteínas.
A síndrome nefrótica é uma condição renal caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. Em crianças, é uma das glomerulopatias mais comuns, com pico de incidência entre 2 e 6 anos de idade. O quadro clínico clássico inclui edema progressivo, que pode evoluir para anasarca, e urina espumosa devido à perda de proteínas. A fisiopatologia central envolve um aumento da permeabilidade da barreira de filtração glomerular, levando à perda maciça de proteínas na urina (proteinúria). A hipoalbuminemia resultante diminui a pressão oncótica plasmática, causando extravasamento de líquido para o espaço intersticial e formação de edema. A hiperlipidemia é uma resposta hepática compensatória à hipoalbuminemia, com aumento da síntese de lipoproteínas. A creatinina e ureia podem estar elevadas em casos de lesão renal aguda associada ou desidratação. O diagnóstico é clínico e laboratorial. A etiologia mais comum em crianças é a Doença de Lesões Mínimas, que geralmente responde bem à corticoterapia. O tratamento inicial foca no controle do edema (diuréticos), prevenção de complicações (trombose, infecções) e, na maioria dos casos, uso de corticosteroides. É fundamental diferenciar da síndrome nefrítica, que apresenta características clínicas e fisiopatológicas distintas.
Os quatro pilares diagnósticos da síndrome nefrótica são: proteinúria maciça (geralmente > 3,5g/24h ou relação proteína/creatinina > 2 em crianças), hipoalbuminemia (< 3,0 g/dL), edema (anasarca) e hiperlipidemia (hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia).
Em crianças, a causa mais comum de síndrome nefrótica é a Doença de Lesões Mínimas (DLM), responsável por cerca de 80-90% dos casos. É caracterizada por ausência de alterações histológicas à microscopia óptica, mas fusão dos podócitos à microscopia eletrônica.
A hipercolesterolemia na síndrome nefrótica é uma resposta compensatória do fígado à hipoalbuminemia. O fígado aumenta a síntese de lipoproteínas para tentar manter a pressão oncótica plasmática, resultando em elevação dos níveis de colesterol e triglicerídeos.
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