Síndrome Nefrótica: Critérios Diagnósticos Essenciais

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Homem de 50 anos, queixando-se de astenia e constipação com fezes em fita. Há 15 dias, apresenta edema de membros inferiores até a raiz da região crural, bilateralmente, com pouca melhora à elevação dos membros. Ele perdeu 10 kg em 6 meses. Nega hipertensão arterial e diabetes mellitus e não faz uso de medicamento. Os exames do paciente apresentaram os seguintes resultados: | Exame | Resultado | Valor de referência | |---|---|---| | Pressão arterial | 130 x 80 mmHg | --- | | Peso | 70 kg | --- | | Hematócrito | 35% | 48 a 69% | | Glicemia | 88 mg/dL | 60 a 100 mg/dL | | Albumina sérica | 1,8 g/dL | 3,8 a 4,8 g/dL | | Creatinina | 1,2 mg/dL | 0,7 a 1,3 mg/dL | | Triglicerídeos | 200 mg/dL | < 150 mg/dL | | Proteína urinária de 24 horas | 3,6 g/24 horas | < 100 mg/24 horas | | Sedimentos | proteínas +++ hemácias + (5 por campo) | --- | Dentre esses achados laboratoriais, quais são necessários para a definição da síndrome renal do paciente?

Alternativas

  1. A) Proteína urinária de 24 horas = 3,6 g e albumina sérica = 1,8 g/dL.
  2. B) Proteína urinária de 24 horas = 3,6 g e triglicerídeos 200 mg/dL.
  3. C) Hematúria e triglicerídeos = 200 mg/dL.
  4. D) Hematúria e albumina sérica = 1,8 g/dL.

Pérola Clínica

Síndrome Nefrótica = Proteinúria > 3,5g/24h + Hipoalbuminemia (< 3,0 g/dL) + Edema + Dislipidemia.

Resumo-Chave

A síndrome nefrótica é definida pela tétrade de proteinúria maciça (>3,5g/24h ou >50mg/kg/dia em crianças), hipoalbuminemia (<3,0g/dL), edema e dislipidemia. Os achados laboratoriais de proteinúria e hipoalbuminemia são essenciais para a sua definição e diferenciação de outras nefropatias.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica é um distúrbio renal caracterizado por uma tétrade de achados clínicos e laboratoriais: proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e dislipidemia. É uma condição comum na nefrologia, afetando tanto crianças quanto adultos, e sua identificação precoce é crucial para o manejo e prevenção de complicações graves, como trombose e infecções. A fisiopatologia central envolve um aumento da permeabilidade da barreira de filtração glomerular, resultando na perda excessiva de proteínas plasmáticas na urina (proteinúria > 3,5g/24h). Essa perda leva à hipoalbuminemia (< 3,0 g/dL), que diminui a pressão oncótica plasmática, causando o extravasamento de líquido para o interstício e o desenvolvimento de edema generalizado. A dislipidemia é uma resposta hepática compensatória à hipoalbuminemia, com aumento da síntese de lipoproteínas. O diagnóstico da síndrome nefrótica é estabelecido pela presença da proteinúria maciça e hipoalbuminemia, com os outros achados corroborando o quadro. O tratamento visa controlar os sintomas (edema), prevenir complicações (como trombose, infecções e lesão renal aguda) e tratar a causa subjacente, que pode ser primária (ex: doença de lesões mínimas, glomeruloesclerose segmentar e focal) ou secundária (ex: diabetes mellitus, lúpus eritematoso sistêmico). O prognóstico varia conforme a etiologia e a resposta ao tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da síndrome nefrótica?

Os principais sinais e sintomas da síndrome nefrótica incluem edema generalizado (anasarca), especialmente facial e em membros inferiores, astenia, perda de peso e, em casos mais graves, derrames cavitários como ascite e derrame pleural.

Por que a proteinúria e a hipoalbuminemia são cruciais para o diagnóstico?

A proteinúria maciça (>3,5g/24h) é a perda excessiva de proteínas pela urina, levando à hipoalbuminemia (<3,0g/dL), que é a causa primária do edema devido à redução da pressão oncótica plasmática. Esses dois achados são a base para a definição da síndrome.

Como a síndrome nefrótica se diferencia da síndrome nefrítica?

A síndrome nefrótica é caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia e edema, com pouca ou nenhuma hematúria. Já a síndrome nefrítica apresenta hematúria, hipertensão, oligúria e proteinúria geralmente subnefrótica, refletindo um processo inflamatório glomerular.

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