Síndrome Nefrótica na Infância: Doença por Lesão Mínima

IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Menino de 4 anos é trazido ao departamento de emergência pediátrica pelo seu pai em decorrência de quadro de anasarca. Quando questionado ativamente, o progenitor refere que a urina da criança se encontra espumosa. Ao exame físico, além da anasarca, não apresenta outras alterações dignas de nota. Exame laboratorial realizado na emergência demonstra hipoalbuminemia e função renal preservada. Exame de urina tipo 1 (EAS) evidencia 4+ de proteína. A relação proteína/creatinina urinária em amostra isolada (spot urinário) é de 8. Com base no caso em questão, o diagnóstico sindrômico e sua mais provável etiologia são:

Alternativas

  1. A) Síndrome nefrótica; nefrite lúpica.
  2. B) Síndrome nefrítica; síndrome de Fanconi.
  3. C) Síndrome nefrótica; doença por lesão mínima.
  4. D) Síndrome nefrítica; glomerulonefrite difusa aguda pós-estreptocóccica.

Pérola Clínica

Anasarca + Proteinúria maciça + Hipoalbuminemia em criança = Doença por Lesão Mínima.

Resumo-Chave

A Doença por Lesão Mínima é a principal causa de síndrome nefrótica na infância (2-6 anos), caracterizada por edema intenso, proteinúria de faixa nefrótica e ausência de hematúria ou hipertensão.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica resulta do aumento da permeabilidade da barreira de filtração glomerular às proteínas plasmáticas. Na pediatria, o quadro clássico é o de uma criança pré-escolar que desenvolve edema progressivo, iniciando em pálpebras e evoluindo para anasarca (ascite, derrame pleural, edema de membros). O diagnóstico sindrômico é confirmado pela proteinúria maciça (4+ no EAS e relação P/C > 2). A etiologia mais provável é a Doença por Lesão Mínima, uma condição idiopática onde ocorre a perda das cargas negativas da membrana basal glomerular. É fundamental diferenciar da GNPE (Síndrome Nefrítica), onde o quadro é dominado por hematúria, hipertensão e oligúria, geralmente após infecção estreptocócica.

Perguntas Frequentes

O que define a Síndrome Nefrótica laboratorialmente?

A síndrome nefrótica é definida pela tríade: proteinúria maciça (acima de 40 mg/m²/hora em crianças ou relação proteína/creatinina > 2), hipoalbuminemia (geralmente < 2,5 g/dL) e edema (anasarca). Frequentemente acompanha-se de hiperlipidemia e lipidúria. Diferencia-se da síndrome nefrítica pela ausência de consumo de complemento, ausência de hematúria macroscópica e manutenção da função renal na fase inicial.

Por que a Doença por Lesão Mínima (DLM) é a principal suspeita?

A DLM responde por cerca de 80-90% dos casos de síndrome nefrótica em crianças menores de 10 anos. Clinicamente, manifesta-se após infecções de vias aéreas superiores ou picadas de insetos. A biópsia renal (raramente necessária inicialmente em crianças) mostraria glomérulos normais à microscopia óptica, mas com fusão dos processos podocitários à microscopia eletrônica.

Qual o tratamento inicial para Doença por Lesão Mínima?

O tratamento de primeira linha é a corticoterapia oral (Prednisona ou Prednisolona). A grande maioria das crianças com DLM é 'corticossensível', apresentando remissão completa da proteinúria em poucas semanas. Devido a essa alta taxa de resposta, a biópsia renal é reservada apenas para casos de corticorresistência, recidivas frequentes ou apresentações atípicas (idade < 1 ano ou > 10 anos, hipertensão grave ou hematúria).

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