SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2020
Mulher, 54 anos de idade, dá entrada na UPA com queixa de edema difuso, há 2 meses. Nega comorbidades ou uso de medicações. Ao exame, apresenta-se com edema periorbitário bilateral, afebril, hipocorada +1/4+, com FC: 80bpm, PA: 130X80mmHg. Ausculta cardiorrespiratória sem alterações. Nota-se presença de hiperemia cutânea em mama esquerda, onde se palpa nódulo irregular, endurecido, de cerca de 3x4cm indolor, em quadrante lateral superior. Abdome semigloboso, com maciez móvel presente. Edema +3/4+ em membros inferiores. Realizados exames laboratoriais, com Hb: 11,5g/dl, leucócitos: 5800/mm³, plaquetas: 200mil/mm³, Cr: 0,9mg/dl, Ur: 26mg/dl, Na: 136mEq/l, K: 3,7mEq/l, BT: 1,0mg/dl, albumina: 2,2g/dl, Colesterol total: 320mg/dl e Triglicérides: 300mg/dl, Glicemia: 90mg/dl. Sumário de urina com proteinúria 3+/3 e cilindros hialinos. Iniciado diurético de alça. De acordo com o quadro descrito, cite a medicação (classe da droga) de primeira escolha, nesse momento, para retardar a evolução do quadro sindrômico.
Edema difuso + proteinúria + hipoalbuminemia + hiperlipidemia = Síndrome Nefrótica; investigar causa secundária (neoplasia).
A paciente apresenta síndrome nefrótica completa, com a particularidade de um nódulo mamário suspeito e hiperemia cutânea, sugerindo carcinoma inflamatório de mama como causa secundária da nefropatia. O tratamento inicial para retardar a progressão renal é focado na redução da proteinúria.
A síndrome nefrótica é uma condição clínica caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema, hiperlipidemia e lipidúria. Em adultos, é fundamental investigar causas secundárias, como doenças autoimunes, infecções e, notavelmente, neoplasias, que podem se manifestar com glomerulopatias paraneoplásicas. No caso apresentado, a paciente exibe um quadro completo de síndrome nefrótica associado a um nódulo mamário suspeito e sinais de hiperemia cutânea, levantando a forte hipótese de um carcinoma inflamatório de mama como etiologia secundária da nefropatia. A fisiopatologia envolve a liberação de substâncias tumorais ou a formação de complexos imunes que se depositam nos glomérulos. O manejo da síndrome nefrótica envolve o tratamento da causa subjacente e o controle dos sintomas. Para retardar a progressão da doença renal, a medicação de primeira escolha são os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou os bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), que reduzem a proteinúria e a pressão intraglomerular, independentemente da pressão arterial.
A síndrome nefrótica é caracterizada por proteinúria (>3,5g/24h), hipoalbuminemia (<3,0g/dL), edema, hiperlipidemia e lipidúria. O caso da paciente preenche todos esses critérios.
IECA/BRA são a primeira escolha porque, além de controlar a pressão arterial, reduzem a proteinúria ao diminuir a pressão intraglomerular, protegendo os rins e retardando a progressão da doença renal, independentemente da presença de hipertensão.
Em adultos, a síndrome nefrótica frequentemente tem uma causa secundária, como doenças sistêmicas (diabetes, lúpus) ou neoplasias. Identificar e tratar a causa subjacente é crucial para o manejo eficaz e prognóstico do paciente.
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