Síndrome Nefrótica por Lesões Mínimas: Diagnóstico e Biópsia

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2024

Enunciado

Homem de 35 anos, previamente saudável, apresenta edema periorbital e em membros inferiores, acompanhado de urina espumosa nas últimas semanas. Relata cansaço e perda de apetite. Os exames laboratoriais mostram proteinúria de 7 g/24h, hipoalbuminemia e hiperlipidemia. A biópsia renal revela glomérulos com aparência normal à microscopia óptica, mas com fusão extensa dos processos podocitários à microscopia eletrônica. Qual é o diagnóstico do paciente?

Alternativas

  1. A) Glomeruloesclerose segmentar e focal
  2. B) Nefropatia membranosa
  3. C) Síndrome nefrótica por lesões mínimas
  4. D) Glomerulonefrite pós-estreptocócica

Pérola Clínica

Síndrome nefrótica + biópsia renal normal à MO + fusão podocitária à ME = Doença de Lesões Mínimas.

Resumo-Chave

O quadro clínico de edema, proteinúria maciça (>3.5g/24h), hipoalbuminemia e hiperlipidemia é clássico de síndrome nefrótica. A biópsia renal, que mostra glomérulos normais à microscopia óptica e fusão dos processos podocitários à microscopia eletrônica, é patognomônica da Doença de Lesões Mínimas.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica é uma constelação de achados clínicos e laboratoriais caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. É uma manifestação comum de diversas doenças glomerulares, sendo a Doença de Lesões Mínimas (DLM) uma das causas mais frequentes, especialmente em crianças, mas também presente em adultos. A DLM é responsável por cerca de 10-15% dos casos de síndrome nefrótica em adultos. A fisiopatologia da DLM envolve uma disfunção dos podócitos, as células epiteliais viscerais do glomérulo, que resulta na perda da barreira de filtração glomerular e consequente proteinúria. Embora a causa exata seja desconhecida, acredita-se que fatores imunológicos desempenhem um papel. O diagnóstico é estabelecido pela biópsia renal, que classicamente mostra glomérulos com aparência normal à microscopia óptica, mas com a característica fusão difusa dos processos podocitários à microscopia eletrônica. A imunofluorescência geralmente é negativa ou mostra depósitos mínimos e inespecíficos. O tratamento da DLM em adultos geralmente envolve corticosteroides, com altas taxas de remissão. No entanto, alguns pacientes podem apresentar recaídas frequentes ou dependência de esteroides, necessitando de agentes imunossupressores alternativos, como ciclosporina, tacrolimus ou rituximabe. O prognóstico é geralmente bom, mas a doença pode levar a complicações como infecções, trombose e insuficiência renal aguda se não for adequadamente controlada.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos da síndrome nefrótica?

A síndrome nefrótica é caracterizada por proteinúria maciça (> 3,5 g/24h em adultos ou > 40 mg/m²/h em crianças), hipoalbuminemia (< 3,0 g/dL), edema (geralmente periorbital e em membros inferiores) e hiperlipidemia.

Por que a biópsia renal é crucial no diagnóstico da Doença de Lesões Mínimas?

A biópsia renal é crucial porque a Doença de Lesões Mínimas não apresenta alterações visíveis à microscopia óptica, exigindo a microscopia eletrônica para identificar a fusão difusa dos processos podocitários, que é o achado característico.

Qual o tratamento inicial para a Doença de Lesões Mínimas em adultos?

O tratamento inicial para a Doença de Lesões Mínimas em adultos é geralmente com corticosteroides, como a prednisona, em doses imunossupressoras, visando induzir a remissão da proteinúria.

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