Síndrome Nefrítica Pós-Estreptocócica: Diagnóstico e Manejo

Multivix - Faculdade Multivix Vitória (ES) — Prova 2025

Enunciado

Um menino de 8 anos é trazido ao pronto-socorro com queixa de edema facial, especialmente ao acordar, associado a urina com coloração escurecida. A mãe relata que há duas semanas ele apresentou um episódio de infecção de garganta, que foi tratado com repouso e analgésicos. Ao exame físico, ele apresenta hipertensão arterial (PA: 130/90 mmHg) e edema periorbitário leve. Os exames laboratoriais mostram hematúria microscópica, proteinúria leve e elevação discreta da creatinina. Com base no quadro clínico e laboratorial, qual é o diagnóstico mais provável e a melhor conduta inicial para o tratamento desse paciente?

Alternativas

  1. A) Síndrome Nefrótica – iniciar Prednisona oral.
  2. B) Síndrome Nefrítica pós-estreptocócica – realizar restrição hídrica e prescrever anti-hipertensivo se necessário.
  3. C) Doença de Berger (nefropatia por IgA) – realizar biópsia renal e prescrever imunossupressores.
  4. D) Nefrite Lúpica – solicitar anticorpos antinucleares (ANA) e iniciar pulsoterapia com corticoide.

Pérola Clínica

Criança + infecção garganta prévia + edema + urina escura + hipertensão = Síndrome Nefrítica Pós-Estreptocócica.

Resumo-Chave

A Síndrome Nefrítica Pós-Estreptocócica (GNPE) é uma complicação comum de infecções estreptocócicas (faringite ou piodermite), caracterizada por um período de latência (1-3 semanas), seguida por edema (periorbitário), hipertensão, hematúria (urina escura/cor de coca-cola) e oligúria. O tratamento é de suporte, com restrição hídrica e controle da pressão arterial.

Contexto Educacional

A Síndrome Nefrítica Pós-Estreptocócica (GNPE) é uma das glomerulonefrites agudas mais comuns na infância, representando uma complicação não supurativa de infecções prévias por Streptococcus pyogenes. É crucial para o residente reconhecer essa condição devido ao seu potencial de morbidade se não for adequadamente manejada. A fisiopatologia envolve a formação de complexos imunes que se depositam nos glomérulos renais, desencadeando uma resposta inflamatória. Clinicamente, a GNPE é caracterizada pela tríade de edema (especialmente periorbitário e matinal), hipertensão arterial e hematúria (urina escura, "cor de coca-cola"), geralmente com um período de latência de 1 a 3 semanas após uma faringite ou 3 a 6 semanas após uma piodermite. Exames laboratoriais mostram hematúria microscópica, proteinúria leve e elevação da creatinina. O tratamento da GNPE é primariamente de suporte, visando controlar a hipertensão e o edema. Isso inclui restrição hídrica e de sódio, e o uso de diuréticos (como a furosemida) e anti-hipertensivos (como nifedipino ou captopril) conforme a necessidade. O prognóstico é geralmente bom na infância, com recuperação completa na maioria dos casos, mas o acompanhamento é essencial para monitorar a função renal e a pressão arterial.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Síndrome Nefrítica Pós-Estreptocócica?

Os critérios incluem evidência de infecção estreptocócica prévia (faringite ou piodermite), período de latência de 1-3 semanas, e manifestações clínicas como edema, hipertensão, hematúria (urina escura) e proteinúria leve.

Qual a fisiopatologia da GNPE?

A GNPE é uma doença imunomediada, onde complexos antígeno-anticorpo se depositam nos glomérulos renais após uma infecção por cepas nefritogênicas de Streptococcus pyogenes, levando a uma resposta inflamatória e dano glomerular.

Qual a conduta inicial no tratamento da GNPE?

O tratamento é de suporte, focado no controle dos sintomas: restrição hídrica e de sódio para o edema e hipertensão, diuréticos (furosemida) e anti-hipertensivos (inibidores da ECA ou bloqueadores dos canais de cálcio) se a pressão arterial não for controlada.

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