Síndrome Nefrítica Pediátrica: Diagnóstico e Exames

UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2022

Enunciado

Pedro, 7 anos, iniciou um quadro de edema em face e membros inferiores há doze horas. Mãe relata presença de hematúria, diminuição da diurese e prostração. Ao exame: regular estado geral, taquipneico, taquicárdico e com pressão arterial acima do percentil 99 para idade, sexo e altura.Para o caso apresentado, assinale a opção que apresente o correto diagnóstico e o exame indicado para sua confirmação.

Alternativas

  1. A) Síndrome nefrótica e albumina sérica.
  2. B) Síndrome nefrótica e proteinúria de 24 horas.
  3. C) Síndrome nefrítica e urina tipo I.
  4. D) Síndrome nefrítica e complemento total e frações.

Pérola Clínica

Criança com edema, hematúria, oligúria e hipertensão → Síndrome Nefrítica. Confirmar com complemento sérico (C3/C4).

Resumo-Chave

A síndrome nefrítica é caracterizada pela tríade de hematúria, edema e hipertensão, frequentemente acompanhada de oligúria e prostração. Em crianças, a glomerulonefrite pós-estreptocócica é a causa mais comum, e a dosagem do complemento sérico (C3 e C4) é essencial para o diagnóstico diferencial e confirmação, tipicamente mostrando consumo de C3.

Contexto Educacional

A síndrome nefrítica em pediatria é uma condição clínica importante, frequentemente associada à glomerulonefrite pós-estreptocócica aguda (GNPE), que é a causa mais comum em crianças. Caracteriza-se por uma inflamação glomerular que leva a hematúria (macroscópica ou microscópica), edema (periorbital e em membros inferiores), hipertensão arterial e oligúria. A rápida identificação e manejo são cruciais para prevenir complicações graves, como encefalopatia hipertensiva e insuficiência renal aguda. A fisiopatologia da GNPE envolve a deposição de imunocomplexos nos glomérulos após uma infecção estreptocócica (faringite ou piodermite), ativando o sistema complemento e resultando em dano inflamatório. O diagnóstico é fortemente sugerido pela clínica e confirmado por exames laboratoriais, como a dosagem de ASLO (antiestreptolisina O) e, principalmente, a avaliação do complemento sérico. A queda dos níveis de C3 é um achado característico e de grande valor diagnóstico, enquanto o C4 geralmente permanece normal. O tratamento é de suporte, visando controlar a hipertensão e o edema com diuréticos e anti-hipertensivos, além de restrição hídrica e de sódio. O prognóstico da GNPE é geralmente bom, com recuperação completa da função renal na maioria dos casos, embora um pequeno percentual possa evoluir para doença renal crônica. É fundamental que residentes saibam diferenciar a síndrome nefrítica de outras nefropatias pediátricas para instituir a conduta adequada.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da síndrome nefrítica em crianças?

Os principais sinais e sintomas incluem edema (especialmente facial e periorbital), hematúria (urina cor de Coca-Cola), oligúria, hipertensão arterial, e prostração. Pode haver também dor abdominal e cefaleia.

Qual o exame mais indicado para confirmar o diagnóstico de síndrome nefrítica, especialmente a pós-estreptocócica?

A dosagem do complemento sérico total e suas frações (C3 e C4) é fundamental. Na glomerulonefrite pós-estreptocócica, espera-se encontrar níveis baixos de C3, com C4 geralmente normal, indicando ativação da via alternativa do complemento.

Como diferenciar a síndrome nefrítica da síndrome nefrótica?

A síndrome nefrítica é marcada por hematúria, hipertensão e oligúria, com proteinúria geralmente discreta. A síndrome nefrótica, por outro lado, apresenta proteinúria maciça (>50 mg/kg/dia), hipoalbuminemia, edema generalizado e hiperlipidemia, sem hematúria ou hipertensão como características primárias.

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