UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2020
João, 5 anos, é trazido ao pronto socorro por sua mãe com queixa de que sua urina está reduzida e escura há 3 dias. Ao exame físico, a criança encontra-se em regular estado geral, PA 150/90 (P90 106/70, P95 110/74) com leve edema palpebral, com ausculta cardíaca normal e com estertores à ausculta pulmonar. Baseado neste caso clínico, assinale a opção CORRETA.
Criança com oligúria, hematúria, hipertensão e edema → Síndrome Nefrítica. Conduta: Internar, restrição, diurético, ATB (se infecção ativa).
O quadro clínico de João é clássico de síndrome nefrítica aguda, com oligúria, hematúria (urina escura), hipertensão e sinais de sobrecarga volêmica (edema, estertores). A principal causa em crianças é a Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica Aguda (GNPE), que exige manejo de suporte e tratamento da infecção subjacente.
A síndrome nefrítica aguda é uma condição renal grave que afeta predominantemente crianças, caracterizada por inflamação glomerular. A causa mais comum é a Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica Aguda (GNPE), que ocorre após uma infecção por Streptococcus pyogenes (faringite ou piodermite). É crucial para o residente reconhecer o quadro clínico clássico: hematúria macroscópica (urina escura), oligúria, edema (especialmente periorbital) e hipertensão arterial, muitas vezes acompanhada de sinais de sobrecarga volêmica, como estertores pulmonares. A fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos nos glomérulos, levando à inflamação e dano. O diagnóstico é clínico, laboratorial (sumário de urina com hematúria, cilindros hemáticos, proteinúria leve; função renal; complemento C3 baixo; ASLO ou anti-DNase B elevados) e, raramente, biópsia renal. O manejo é principalmente de suporte, visando controlar a hipertensão e a sobrecarga volêmica com restrição de sódio e água, e uso de diuréticos e anti-hipertensivos. Embora a penicilina benzatina não altere o curso da GNPE já instalada, é recomendada para erradicar a cepa estreptocócica e prevenir a disseminação. O prognóstico da GNPE em crianças é geralmente bom, com recuperação completa na maioria dos casos, mas o acompanhamento é essencial para monitorar a função renal e a pressão arterial. A diferenciação com outras causas de síndrome nefrítica é um ponto chave para a prova e prática clínica.
Os principais sinais são hematúria (urina escura ou avermelhada), oligúria (redução do volume urinário), edema (especialmente periorbital e em membros inferiores) e hipertensão arterial.
A conduta inicial inclui internação, restrição hídrica e de sódio, e uso de diuréticos (como furosemida) para controlar a sobrecarga volêmica e a hipertensão.
A penicilina benzatina é utilizada para erradicar a cepa nefritogênica de Streptococcus pyogenes, prevenindo a disseminação da infecção, embora não altere o curso da doença renal já estabelecida.
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