Síndrome Nefrítica Aguda: Diagnóstico e Manejo Inicial

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2025

Enunciado

Pré-escolar, cinco anos de idade, do sexo feminino, chega à emergência pediátrica acompanhada de sua mãe, que refere que a menina há dois dias parece estar com o “rosto mais inchado” e mal-estar. Exame físico: bom estado geral, com edema bipalpebral; ausculta cardíaca normal; PA: 130x90mmHg; ausculta pulmonar: estertores subcrepitantes em bases; abdome normotenso; fígado: 2cm do rebordo costal direito; membros inferiores: edema 2+/4+ e pequenas lesões crostosas. Exames laboratoriais: exame de urina: densidade 1025; pH 5,5; leucócitos 12/campo, hemácias 50/campo, albumina +. Ureia 12mg/dl e creatinina 0,4mg/dl. Radiografia de tórax: aumento discreto de área cardíaca. A hipótese diagnóstica mais provável e o tratamento inicial para o caso, são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Pielonefrite / antibiótico venoso;
  2. B) Síndrome nefrótica / prednisona via oral;
  3. C) Síndrome nefrótica / antibiótico devido à possibilidade de peritonite bacteriana espontânea;
  4. D) Síndrome nefrítica / restrição hídrica, diurético, avaliar a necessidade de anti-hipertensivos.

Pérola Clínica

Edema + Hipertensão + Hematúria em criança com piodermite prévia = Síndrome Nefrítica Aguda (provável GNPE).

Resumo-Chave

O quadro clínico de edema, hipertensão e hematúria (tríade nefrítica), associado a lesões de pele (piodermite), é clássico de Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE). O tratamento é de suporte, visando controlar a volemia e a pressão arterial.

Contexto Educacional

A Síndrome Nefrítica Aguda é uma das principais causas de injúria renal aguda na infância, caracterizada por um processo inflamatório agudo dos glomérulos. A causa mais comum mundialmente é a Glomerulonefrite Difusa Aguda Pós-Estreptocócica (GNPE), que ocorre após uma infecção de orofaringe ou pele (piodermite) por cepas nefritogênicas do Streptococcus pyogenes. A fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos nos glomérulos, ativando o sistema complemento e recrutando células inflamatórias. Isso leva à proliferação celular e à redução da filtração glomerular. Clinicamente, manifesta-se pela tríade clássica: hematúria (urina 'cor de coca-cola'), edema (principalmente periorbital e em membros inferiores) e hipertensão arterial secundária à retenção de sódio e água. A história de uma infecção de garganta há 1-2 semanas ou de pele há 3-6 semanas é um dado epidemiológico crucial. O diagnóstico é primariamente clínico, suportado por achados laboratoriais como hematúria dismórfica, cilindros hemáticos, proteinúria leve a moderada e consumo do complemento C3. O tratamento é de suporte, focado no controle da volemia e da pressão arterial com restrição hidrossalina e diuréticos de alça (furosemida). O prognóstico na infância é geralmente excelente, com recuperação completa da função renal na maioria dos casos.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados laboratoriais clássicos na síndrome nefrítica pós-estreptocócica?

Os achados incluem hematúria (com cilindros hemáticos no sedimento urinário), proteinúria não nefrótica, elevação transitória de ureia e creatinina, consumo de complemento (C3 baixo com C4 normal) e evidência de infecção estreptocócica prévia (ASLO ou anti-DNase B elevados).

Qual o tratamento inicial para um paciente com síndrome nefrítica e sobrecarga volêmica?

O manejo inicial consiste em restrição hídrica e salina rigorosa e uso de diuréticos de alça, como a furosemida, para controlar o edema e a hipertensão. Anti-hipertensivos, como vasodilatadores, podem ser necessários se a pressão arterial não normalizar.

Como diferenciar a síndrome nefrítica da síndrome nefrótica na emergência?

A nefrítica classicamente apresenta hipertensão e hematúria como achados principais, com edema moderado. A nefrótica tem edema muito mais pronunciado (anasarca), proteinúria maciça (fita urinária com +++ ou ++++ de proteína) e geralmente é normotensa.

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