CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026
Durante seu plantão em um hospital regional, você é chamado para avaliar João, 7 anos, internado há três dias por quadro de inchaço corporal e diminuição do volume urinário iniciado há cinco dias. No exame físico, a criança encontra-se pálida, com edema generalizado, frequência cardíaca de 120 bpm e pressão arterial de 120x80 mmHg (acima do percentil 95 para idade, sexo e estatura). Os resultados laboratoriais disponíveis são: Hemoglobina: 9,5 g/dL; leucócitos e plaquetas normais; ureia: 36 mg/dL; creatinina: 0,8 mg/dL; sódio: 134 mEq/L; potássio: 4,8 mEq/L. EAS: pH 6,0; densidade 1.020; hemoglobina +++; proteína ++; hemácias >100.000/mm³; leucócitos 20.000/mm³. Com base nesse quadro clínico-laboratorial, qual a hipótese diagnóstica principal e os exames complementares mais indicados para elucidar a etiologia?
Hematúria + Hipertensão + Edema + Oligúria = Síndrome Nefrítica (GNDA).
A síndrome nefrítica clássica manifesta-se pela tríade de edema, hipertensão e hematúria, frequentemente precedida por infecção estreptocócica, exigindo avaliação de C3 e ASLO.
A Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica é a causa mais comum de síndrome nefrítica na infância. Ocorre após uma infecção de orofaringe ou de pele por cepas nefritogênicas do Streptococcus pyogenes. O mecanismo é imunomediado pelo depósito de imunocomplexos no glomérulo, levando a um processo inflamatório que reduz a taxa de filtração glomerular. Clinicamente, o paciente apresenta o "quarteto nefrítico": hematúria (muitas vezes macroscópica, cor de chá ou cola), edema, hipertensão arterial e graus variáveis de oligúria. O diagnóstico laboratorial baseia-se na evidência de infecção estreptocócica prévia (ASLO ou anti-DNAse B) e na demonstração de consumo da via alternativa do complemento (queda de C3). O tratamento é essencialmente de suporte, focando no controle da volemia e da pressão arterial, com restrição hídrica e dietética, além de diuréticos de alça se necessário.
O achado mais típico é a redução transitória dos níveis de complemento, especificamente a fração C3, que costuma normalizar em até 8 semanas. A presença de hematúria com dismorfismo eritrocitário ou cilindros hemáticos confirma a origem glomerular do sangramento.
A síndrome nefrítica cursa com início súbito de hematúria, hipertensão arterial e edema moderado. Já a síndrome nefrótica caracteriza-se por edema generalizado (anasarca), proteinúria maciça (>50mg/kg/dia), hipoalbuminemia e hiperlipidemia, geralmente sem hipertensão ou hematúria importante.
A biópsia é reservada para casos atípicos: insuficiência renal progressiva, ausência de evidência de infecção estreptocócica, complemento normal, proteinúria nefrótica persistente ou se o C3 permanecer baixo após 8 semanas de evolução.
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