Síndrome Nefrítica Aguda: Diagnóstico e Manejo Pediátrico

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2021

Enunciado

Menino de 8 anos de idade foi levado para consulta na unidade básica de saúde pela mãe devido a edema facial e tosse havia 5 dias. Ao exame físico, o pediatra observou presença de edema bipalpebral, pressão arterial de 140 mmHg × 95 mmHg; fígado a 1,5 cm de RCD; presença de cacifo positivo em membros inferiores. A ausculta cardíaca não revelou alterações e a ausculta respiratória indicou presença de crepitações finas em ambas as bases.Hemograma: hemoglobina 10; leucócitos totais 12.300; neutrófilos 72%; linfócitos 28%; plaquetas 400.000Ureia 21mg/dLCreatinina 0,7 mg/dLEAS: cilindros hialinos, granulosos e leucocitáriosRadiografia de tórax: discreto aumento de área cardíaca e infiltrados peri-hilares bilateralmente.Assinale a opção que apresenta o diagnóstico e a conduta a ser adotada no caso clínico apresentado.

Alternativas

  1. A) pneumonia — antibiótico sob internação
  2. B) infecção do trato urinário — antibiótico oral
  3. C) síndrome nefrótica — corticoide oral
  4. D) síndrome nefrítica — anti-hipertensivo para início imediato

Pérola Clínica

Síndrome Nefrítica Aguda = Edema + Hipertensão + Hematúria/Cilindros + Sobrecarga Hídrica. Conduta: controle PA e volume.

Resumo-Chave

A síndrome nefrítica aguda é caracterizada por inflamação glomerular, levando a retenção de sódio e água, hipertensão e edema. A presença de cilindros no EAS, mesmo sem hematúria macroscópica, e a hipertensão com edema bipalpebral são fortes indicativos. O manejo inicial foca no controle da pressão arterial e da sobrecarga volêmica para prevenir complicações graves.

Contexto Educacional

A síndrome nefrítica aguda é uma condição inflamatória glomerular comum na pediatria, frequentemente desencadeada por infecções, como a Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica Aguda (GNPE). Sua importância clínica reside na rápida progressão e nas potenciais complicações graves, como encefalopatia hipertensiva, insuficiência cardíaca congestiva e insuficiência renal aguda, se não for prontamente reconhecida e tratada. É uma das principais causas de internação por doença renal em crianças. O diagnóstico da síndrome nefrítica baseia-se na tríade clássica de edema (geralmente facial e periorbital), hipertensão arterial e alterações urinárias (hematúria, proteinúria leve a moderada, cilindros). A suspeita deve surgir em crianças com edema súbito, especialmente após uma infecção de vias aéreas superiores ou pele. Exames laboratoriais como EAS, ureia, creatinina, eletrólitos e complemento sérico (C3) são fundamentais para a confirmação diagnóstica e avaliação da gravidade. O tratamento é primariamente de suporte e visa controlar as complicações. O manejo da hipertensão é prioritário, utilizando anti-hipertensivos e diuréticos para a sobrecarga volêmica. Restrição hídrica e de sódio também são medidas importantes. O prognóstico da GNPE é geralmente bom, com recuperação completa da função renal na maioria dos casos, mas o acompanhamento a longo prazo é essencial para monitorar a função renal e a pressão arterial.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da síndrome nefrítica aguda em crianças?

Os sinais clássicos incluem edema (especialmente facial e periorbital), hipertensão arterial, oligúria e urina escura (hematúria). Podem ocorrer também sintomas inespecíficos como mal-estar e dor abdominal.

Qual a importância dos cilindros urinários no diagnóstico da síndrome nefrítica?

A presença de cilindros hemáticos, granulosos ou leucocitários no exame de urina (EAS) é um forte indicativo de inflamação glomerular ativa, auxiliando no diagnóstico diferencial de outras causas de edema e hipertensão.

Qual a conduta inicial para a hipertensão na síndrome nefrítica aguda?

O controle da hipertensão é crucial para prevenir complicações neurológicas e cardíacas. Anti-hipertensivos de ação rápida, como nifedipino ou hidralazina, e diuréticos para a sobrecarga volêmica, são frequentemente indicados para início imediato.

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