Síndrome Nefrítica Aguda: Diagnóstico e Etiologia

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Menina, 9a, previamente hígida, é trazida ao Pronto Atendimento com queixa de inchaço nas pernas, dor de cabeça e urina escura há dois dias. Sem outras queixas. Exame físico: T=36,2ºC; PA=154x82mmHg; FC=96bpm; FR=23irpm; pulmões: murmúrio vesicular presente; membros inferiores: edema +/4+. Pele: máculas hipercrômicas, algumas com crostas melicéricas, em  membros inferiores. Creatinina=0,42mg/dL; ureia=31mg/dL; exame de urina: hemácias=100/campo; leucócitos=60/campo; proteína +/4+; codócitos e acantócitos presentes, cilindros granulosos. O DIAGNÓSTICO SINDRÔMICO É:

Alternativas

Pérola Clínica

Síndrome Nefrítica Aguda = hematúria glomerular (dismórfica), proteinúria, edema, hipertensão, oligúria. GNDA pós-estreptocócica é causa comum em crianças.

Resumo-Chave

O quadro de edema, hipertensão, urina escura (hematúria macroscópica) e achados urinários de dismorfismo eritrocitário (acantócitos) e cilindros granulosos é clássico de Síndrome Nefrítica Aguda. A história de lesões cutâneas com crostas melicéricas sugere uma etiologia pós-infecciosa, como a Glomerulonefrite Difusa Aguda Pós-Estreptocócica, comum em crianças.

Contexto Educacional

A Síndrome Nefrítica Aguda é uma emergência pediátrica comum, caracterizada por uma tríade clássica de hematúria, edema e hipertensão. É crucial para residentes reconhecerem este quadro, pois a etiologia mais frequente em crianças é a Glomerulonefrite Difusa Aguda Pós-Estreptocócica (GNDA-Pós-Estreptocócica), uma complicação não supurativa de infecções por Streptococcus pyogenes. A compreensão da fisiopatologia, que envolve a formação de imunocomplexos e sua deposição nos glomérulos, é fundamental. O diagnóstico da Síndrome Nefrítica Aguda é clínico e laboratorial. A história de uma infecção estreptocócica prévia (faringite ou piodermite) é um forte indício. O exame físico revela edema (periorbital e em membros inferiores) e hipertensão arterial, que pode ser grave. O exame de urina é essencial, mostrando hematúria macroscópica ou microscópica com dismorfismo eritrocitário (acantócitos) e cilindros hemáticos ou granulosos, além de proteinúria. Exames de sangue podem mostrar níveis elevados de ureia e creatinina, e a dosagem de complemento (C3) costuma estar reduzida na GNDA. O tratamento da Síndrome Nefrítica Aguda é de suporte, visando controlar a hipertensão (com diuréticos e/ou anti-hipertensivos), o edema e a sobrecarga volêmica. Restrição hídrica e de sódio são importantes. Antibioticoterapia (penicilina) é indicada para erradicar o estreptococo, embora não altere o curso da glomerulonefrite já instalada. O prognóstico da GNDA em crianças é geralmente bom, com recuperação completa da função renal na maioria dos casos, mas o acompanhamento é necessário para monitorar a resolução da hipertensão e da hematúria.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais componentes da Síndrome Nefrítica Aguda?

A Síndrome Nefrítica Aguda é caracterizada por hematúria (frequentemente macroscópica e com dismorfismo eritrocitário), proteinúria (geralmente não nefrótica), edema, hipertensão e, em alguns casos, oligúria e insuficiência renal aguda.

Qual a causa mais comum de Síndrome Nefrítica Aguda em crianças?

A Glomerulonefrite Difusa Aguda Pós-Estreptocócica (GNDA-Pós-Estreptocócica) é a causa mais comum em crianças, geralmente ocorrendo 1 a 2 semanas após uma faringite estreptocócica ou 3 a 6 semanas após uma piodermite.

Como os achados do exame de urina auxiliam no diagnóstico da síndrome nefrítica?

A presença de hematúria com dismorfismo eritrocitário (acantócitos) e cilindros hemáticos ou granulosos no exame de urina é altamente sugestiva de origem glomerular da hematúria, um achado chave na síndrome nefrítica.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo