Síndrome Nefrítica: Hematúria e Cilindros Hemáticos

ENARE/ENAMED — Prova 2025

Enunciado

A hematúria é uma manifestação que faz parte do quadro clínico da síndrome nefrítica, além do edema, da proteinúria e da hipertensão arterial. Nessa síndrome, a hematúria:

Alternativas

  1. A) É microscópica e está acompanhada de cilindros hemáticos.
  2. B) É macroscópica e não está acompanhada de cilindros hemáticos.
  3. C) É macroscópica e está acompanhada de cilindros hemáticos.
  4. D) Pode ser microscópica ou macroscópica e está acompanhada de cilindros hemáticos.
  5. E) Pode ser microscópica ou macroscópica e não está acompanhada de cilindros hemáticos.

Pérola Clínica

Hematúria glomerular (micro ou macro) + cilindros hemáticos = Síndrome Nefrítica.

Resumo-Chave

A hematúria na síndrome nefrítica é de origem glomerular, podendo ser visível a olho nu ou apenas no sedimento, sendo patognomônica a presença de cilindros hemáticos.

Contexto Educacional

A síndrome nefrítica é um conjunto de sinais e sintomas decorrentes de um processo inflamatório agudo nos glomérulos. A fisiopatologia envolve a proliferação celular e infiltração leucocitária, que resultam em redução da área de filtração e lesão da parede capilar glomerular. Isso leva à tríade clássica: hematúria, hipertensão e edema. Clinicamente, a hematúria é o sinal cardinal. A diferenciação entre sangramento glomerular e não-glomerular é crucial. O dismorfismo eritrocitário (especialmente acantócitos > 5%) e os cilindros hemáticos são as evidências definitivas de que o sangue provém do glomérulo. O tratamento geralmente foca no controle da volemia e da pressão arterial, além da abordagem da causa base, como a antibioticoterapia em casos de infecção estreptocócica prévia.

Perguntas Frequentes

O que define a hematúria como glomerular na síndrome nefrítica?

A hematúria glomerular é caracterizada pela presença de dismorfismo eritrocitário (presença de acantócitos) e, principalmente, pela formação de cilindros hemáticos. Os cilindros ocorrem quando as hemácias atravessam a barreira de filtração glomerular e ficam retidas na proteína de Tamm-Horsfall nos túbulos renais. Diferente da hematúria urológica (pós-renal), a glomerular costuma ser indolor, pode apresentar coloração em 'chá' ou 'coca-cola' quando macroscópica, e não apresenta coágulos, refletindo uma lesão inflamatória direta no glomérulo que permite a passagem de elementos figurados do sangue para o espaço de Bowman.

Qual a importância clínica dos cilindros hemáticos?

A presença de cilindros hemáticos no sedimento urinário é um achado de extrema importância clínica, pois localiza a origem do sangramento no parênquima renal, especificamente nos glomérulos. Eles são considerados marcadores de glomerulonefrite ativa. Em um contexto de síndrome nefrítica, que cursa com hipertensão, edema e proteinúria subnefrótica, o achado de cilindros hemáticos confirma o diagnóstico sindrômico e direciona a investigação para causas como a Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE), Nefropatia por IgA ou Lúpus Eritematoso Sistêmico, evitando procedimentos urológicos invasivos desnecessários.

A hematúria na síndrome nefrítica deve ser sempre macroscópica?

Não, a hematúria na síndrome nefrítica pode se manifestar de forma macroscópica (visível ao paciente) ou microscópica (detectada apenas por fita reagente ou microscopia de sedimento). Embora a hematúria macroscópica seja um sinal clássico e alarmante que frequentemente leva o paciente ao médico, a forma microscópica é igualmente relevante para o diagnóstico da síndrome. Independentemente da visibilidade, o que define o caráter nefrítico é a associação com outros sinais de inflamação glomerular, como a redução da taxa de filtração glomerular, oligúria e a presença dos cilindros hemáticos mencionados anteriormente.

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