Síndrome Nefrítica: Diagnóstico da Nefropatia por IgA

IHOA - Instituto e Hospital Oftalmológico de Anápolis (GO) — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 32 anos e foi internada para investigação diagnóstica. Tem hipertensão arterial recém-diagnosticada (160x100mmHg) e edema discreto de membros inferiores (+/4+). Sem outras queixas, seu exame de urina tipo I tinha proteinúria (+++/4+), hemácias dismórficas = 68.000/mL, leucócitos 13.000/mL e creatinina = 1,9mg/dL. Seus valores séricos de C3, C4 e CHSO eram normais. E mais: proteinúria = 1.280mg/24h. O diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) síndrome nefrótica por glomerulonefrite membranoproliferativa
  2. B) síndrome nefrótica por vasculite pauci-imune
  3. C) síndrome nefrítica por glomerulonefrite pós-infecciosa
  4. D) síndrome nefrítica por nefropatia por IgA

Pérola Clínica

Hipertensão + edema + hematúria dismórfica + proteinúria nefrítica + função renal alterada + complemento normal = Nefropatia por IgA.

Resumo-Chave

O quadro clínico de hipertensão, edema, proteinúria subnefrótica (1.280mg/24h), hematúria dismórfica e elevação da creatinina (1,9mg/dL) é clássico de síndrome nefrítica. A presença de complemento sérico normal (C3, C4, CH50) é um achado chave que diferencia a nefropatia por IgA de outras glomerulonefrites, como a pós-infecciosa ou membranoproliferativa, que tipicamente cursam com consumo de complemento.

Contexto Educacional

A síndrome nefrítica é uma apresentação clínica de diversas glomerulonefrites, caracterizada por inflamação glomerular que leva a uma tríade clássica de hematúria, hipertensão e edema, frequentemente acompanhada de proteinúria e disfunção renal. É uma condição grave que exige diagnóstico e tratamento precisos para preservar a função renal e evitar a progressão para doença renal crônica. O diagnóstico da síndrome nefrítica baseia-se na avaliação clínica e laboratorial. A presença de hematúria dismórfica e cilindros hemáticos no sedimento urinário é patognomônica de sangramento glomerular. A proteinúria é geralmente subnefrótica (<3,5g/24h), e a hipertensão é comum devido à retenção de sódio e água. A elevação da creatinina sérica indica comprometimento da função renal. A dosagem dos níveis de complemento sérico (C3, C4, CH50) é crucial para o diagnóstico diferencial. A nefropatia por IgA (doença de Berger) é a glomerulonefrite primária mais comum no mundo, caracterizada por depósitos de imunocomplexos contendo IgA no mesângio glomerular. Clinicamente, pode se manifestar como hematúria macroscópica recorrente (especialmente após infecções de vias aéreas superiores), síndrome nefrítica ou, menos frequentemente, síndrome nefrótica. Um achado laboratorial distintivo é a presença de níveis de complemento sérico (C3, C4, CH50) normais, o que a diferencia de outras glomerulonefrites como a pós-estreptocócica ou a membranoproliferativa, que cursam com hipocomplementenemia. O diagnóstico definitivo é feito por biópsia renal.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos e laboratoriais da síndrome nefrítica?

A síndrome nefrítica é caracterizada por hipertensão, edema, oligúria, hematúria (frequentemente dismórfica), proteinúria (geralmente subnefrótica) e elevação da creatinina.

Qual a importância do complemento sérico na investigação de glomerulonefrites?

O complemento sérico (C3, C4, CH50) ajuda a diferenciar as glomerulonefrites. Níveis normais são típicos da nefropatia por IgA, enquanto níveis baixos sugerem glomerulonefrite pós-infecciosa, lúpica ou membranoproliferativa.

Como a nefropatia por IgA se diferencia da glomerulonefrite pós-infecciosa?

A nefropatia por IgA geralmente apresenta hematúria macroscópica concomitante ou logo após infecções de vias aéreas superiores, com complemento normal. A pós-infecciosa tem um período de latência maior (1-3 semanas) e cursa com consumo de C3.

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