HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2023
Criança do sexo masculino de 6 anos de idade, previamente hígida, comparece à unidade de emergência com queixa de tosse há 5 dias. Sua mãe refere que, há 7 dias, notou que seu filho iniciou com quadro de edema periorbitário pela manhã, que evoluía para edema em pés e pernas ao final do dia. Há 5 dias, passou a apresentar tosse seca que vem piorando progressivamente. Nos últimos 2 dias, evoluiu também com dispneia que dificulta o sono do paciente. Há 1 dia, notou que sua urina estava escura, sem apresentar diurese nas últimas 18 horas. Nega febre ou outros sintomas. Informa que, há 2 semanas, o paciente teve quadro de amigdalite bacteriana, tratado com azitromicina.Ao exame físico, o paciente encontra-se com edema generalizado, mole e frio, apresenta pressão arterial no percentil 95 + 12mmHg, com murmúrios vesiculares reduzidos em bases na ausculta pulmonar, além de edema de parede abdominal e sinais da macicez móvel e semicírculo de Skoda positivos no exame do abdome. Sem outras alterações.Qual é o diagnóstico e quais são os exames que devem ser solicitados neste momento?
Edema + Hipertensão + Hematúria após infecção de orofaringe ou pele = Síndrome Nefrítica.
A GNPE é a principal causa de síndrome nefrítica em crianças, manifestando-se após um período de latência de uma infecção estreptocócica com queda transitória do complemento C3.
A Síndrome Nefrítica é caracterizada por um processo inflamatório agudo nos glomérulos, levando à redução da taxa de filtração glomerular. Clinicamente, isso se traduz na tríade clássica de hematúria (muitas vezes com urina cor de 'chá' ou 'cola'), edema e hipertensão arterial. A causa mais comum na infância é a Glomerulonefrite Difusa Aguda Pós-Estreptocócica (GNPE), desencadeada por cepas nefritogênicas do Streptococcus pyogenes. O diagnóstico baseia-se na história clínica de infecção prévia, presença da síndrome nefrítica ao exame físico e confirmação laboratorial através do exame de urina (hematúria com dismorfismo eritrocitário), evidência de infecção estreptocócica (ASLO ou anti-DNAse B) e a demonstração de queda do complemento C3. O tratamento é predominantemente de suporte, focando no controle da volemia e da pressão arterial.
O período de latência varia conforme o sítio da infecção inicial: geralmente de 1 a 3 semanas após um quadro de faringoamigdalite e de 2 a 6 semanas após uma infecção cutânea (piodermite) por estreptococo do grupo A.
Na GNPE, ocorre o consumo da via alternativa do complemento, resultando em níveis baixos de C3 e CH50 com C4 normal. Essa queda é transitória e os níveis devem retornar ao normal em até 8 semanas; caso contrário, outras glomerulopatias devem ser investigadas.
A biópsia é indicada em casos atípicos: hipocomplementemia persistente por mais de 8 semanas, proteinúria em níveis nefróticos persistente, evidência de doença sistêmica, ou piora progressiva da função renal (glomerulonefrite rapidamente progressiva).
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