SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2023
Você é médico de família e comunidade na sua unidade de saúde há dois anos. Hoje, vai atender Eduardo, de cinco anos, que sempre é trazido pela sua mãe Vanessa. Ele tem um histórico de diversas consultas nos últimos dois anos, desde alergia de pele, dor de ouvido, febre sem foco específico, diarreia, entre outros. Na consulta de hoje, Vanessa está muito nervosa dizendo que há uma semana Eduardo anda muito sonolento, inapetente e não querendo mais brincar. Ao ser questionada, a mãe diz que não relaciona os sintomas com nada específico que esteja acontecendo. Ao exame, a criança está hipocorada e desidratada, pouco interativa, frequência cardíaca e respiratória normais, ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. Você já conhece Vanessa, sabe que ela é uma pessoa muito ansiosa e que tem um histórico de automedicar Eduardo a qualquer sinal de sintoma. A vinda da criança mais uma vez nesse mês te causa estranhamento e você começa a suspeitar de Síndrome de Munchausen por Procuração. Qual alternativa abaixo é mais adequada acerca dessa sua hipótese diagnóstica?
SMPP = forma de violência infantil onde cuidador (geralmente mãe) simula/induz doença na criança para atenção médica.
A Síndrome de Munchausen por Procuração (SMPP) é uma grave forma de abuso infantil, onde o cuidador (frequentemente a mãe) fabrica ou induz sintomas de doença na criança para obter atenção médica. É crucial reconhecer os sinais de alerta para proteger a criança, pois a morbimortalidade é alta.
A Síndrome de Munchausen por Procuração (SMPP), atualmente classificada como Transtorno Factício Imposto a Outro no DSM-5, é uma forma grave e complexa de abuso infantil. Caracteriza-se pela fabricação ou indução de sinais ou sintomas físicos ou psicológicos em outra pessoa (geralmente uma criança), por parte de um cuidador (na maioria dos casos, a mãe), sem que haja um ganho externo óbvio para o agressor, além da atenção médica e simpatia. É uma condição rara, mas com alta morbimortalidade para a vítima. O diagnóstico da SMPP é desafiador e frequentemente tardio, pois os agressores são manipuladores e podem ser muito convincentes. Os profissionais de saúde devem estar atentos a uma série de sinais de alerta, como sintomas inexplicáveis ou inconsistentes com a fisiopatologia, história clínica que não se encaixa nos achados, falha em responder a tratamentos adequados, e o cuidador demonstrando um conhecimento médico incomum ou buscando ativamente múltiplos serviços de saúde. A criança pode apresentar uma série de sintomas, desde febre e diarreia até convulsões e apneia, muitas vezes induzidos por métodos como envenenamento, sufocamento ou adulteração de amostras. Ao suspeitar de SMPP, a prioridade máxima é a segurança da criança. A conduta envolve uma abordagem multidisciplinar, com documentação detalhada, discussão com a equipe, e, crucialmente, a notificação aos órgãos de proteção à criança. A separação da criança do agressor é frequentemente necessária para garantir sua segurança. O agressor necessita de avaliação psiquiátrica, mas o foco principal é a proteção da vítima. A SMPP não é apenas uma doença psiquiátrica do agressor, mas uma forma de violência que causa sofrimento físico e psicológico severo à criança.
Sinais incluem sintomas inexplicáveis ou inconsistentes, história médica inconsistente, sintomas que só ocorrem na presença do cuidador, falha em responder a tratamentos habituais e o cuidador buscando múltiplos médicos ou hospitais.
O médico tem o dever de proteger a criança. Isso envolve documentar cuidadosamente as observações, buscar uma segunda opinião, e, se a suspeita for forte, notificar os serviços de proteção à criança.
As crianças vítimas de SMPP podem sofrer danos físicos graves, lesões permanentes, desenvolvimento prejudicado, trauma psicológico e, em casos extremos, morte.
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