Síndrome de Morris: Diagnóstico e Características Clínicas

HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2020

Enunciado

Uma mulher de 20 anos de idade procurou o serviço de ginecologia endócrina com quadro de amenorreia primária. Além disso, referiu ausência de pelos em região de axila e genitália. Exames mostraram βhCG negativo e prolactina normais e cariótipo 46 XY. Na ultrassonografia transvaginal, útero não caracterizado. Assinale a alternativa que apresenta o provável diagnóstico:

Alternativas

  1. A) síndrome dos ovários policísticos.
  2. B) síndrome de Kallmann.
  3. C) síndrome de Asherman.
  4. D) síndrome de Morris.
  5. E) síndrome de Mayer‐Rokitansky‐Kuster‐Hauser.

Pérola Clínica

Amenorreia primária + 46 XY + útero ausente + ausência pelos = Síndrome de Morris (SIA Completa).

Resumo-Chave

A Síndrome de Morris (Insensibilidade Androgênica Completa) é caracterizada por cariótipo 46 XY, fenótipo feminino, amenorreia primária, ausência de útero e anexos, e ausência de pelos pubianos/axilares devido à falha na resposta aos androgênios.

Contexto Educacional

A amenorreia primária, definida como a ausência de menarca até os 16 anos com desenvolvimento de caracteres sexuais secundários ou até os 14 anos sem desenvolvimento, é um desafio diagnóstico na ginecologia endócrina. A investigação requer uma abordagem sistemática, incluindo avaliação hormonal, ultrassonografia pélvica e cariótipo, para identificar as diversas etiologias, que vão desde anomalias congênitas até distúrbios genéticos. A Síndrome de Morris, ou Síndrome de Insensibilidade Androgênica Completa (SIA Completa), é uma das causas de amenorreia primária que se apresenta com um quadro clínico muito específico. Geneticamente, o indivíduo possui cariótipo 46 XY, ou seja, é geneticamente masculino. No entanto, devido a uma mutação no gene do receptor de androgênios, as células-alvo são incapazes de responder à testosterona e outros androgênios. Isso resulta em um desenvolvimento fenotípico feminino, com genitália externa feminina, mas ausência de útero, trompas e ovários (presentes são testículos intra-abdominais ou inguinais). Clinicamente, a paciente apresenta amenorreia primária, desenvolvimento mamário normal (devido à aromatização periférica de testosterona em estrogênios), mas ausência ou escassez de pelos pubianos e axilares. O diagnóstico é confirmado pelo cariótipo 46 XY e pela ausência de útero na ultrassonografia. O manejo inclui a remoção das gônadas (testículos) devido ao risco de malignidade e terapia de reposição hormonal para manutenção dos caracteres sexuais secundários e saúde óssea. É crucial diferenciar da Síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser (MRKH), que também cursa com amenorreia primária e ausência de útero, mas tem cariótipo 46 XX e desenvolvimento normal de pelos.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da Síndrome de Morris?

Pacientes com Síndrome de Morris apresentam fenótipo feminino, amenorreia primária, ausência de útero e terço superior da vagina, desenvolvimento mamário normal (pela aromatização de androgênios), mas ausência ou escassez de pelos pubianos e axilares.

Por que o cariótipo é 46 XY na Síndrome de Morris?

O cariótipo 46 XY indica que geneticamente o indivíduo é do sexo masculino. No entanto, devido a uma mutação no gene do receptor de androgênios, as células não conseguem responder à testosterona, resultando em um desenvolvimento fenotípico feminino.

Como diferenciar a Síndrome de Morris da Síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser (MRKH)?

A principal diferença é o cariótipo: 46 XY na Síndrome de Morris e 46 XX na MRKH. Além disso, na MRKH, os caracteres sexuais secundários (incluindo pelos) são normais, enquanto na Síndrome de Morris há ausência ou escassez de pelos pubianos e axilares.

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