Síndrome de Morris: Características Clínicas e Genéticas

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020

Enunciado

A síndrome de Morris, determinada por insensibilidade aos androgênios, é caracterizada como tendo:

Alternativas

  1. A) útero infantil e ovários em fita.
  2. B) vagina desenvolvida normalmente e ausência de útero.
  3. C) genitália feminina com terço inferior da vagina e vulva de aspecto normal.
  4. D) ausência de desenvolvimento de mamas e vulva normal.

Pérola Clínica

Síndrome de Morris (SIA): cariótipo XY, fenótipo feminino, vulva normal, vagina curta em fundo cego, ausência de útero/ovários, testículos internos, desenvolvimento mamário.

Resumo-Chave

A Síndrome de Morris (Insensibilidade Androgênica) é uma condição de indivíduos XY que desenvolvem fenótipo feminino devido à falha na resposta aos androgênios. Caracteriza-se por genitália externa feminina normal, vagina curta e ausência de útero e ovários, com testículos internos.

Contexto Educacional

A Síndrome de Morris, também conhecida como Síndrome de Insensibilidade Androgênica (SIA), é uma condição genética de desenvolvimento sexual que afeta indivíduos com cariótipo 46,XY. Apesar de possuírem cromossomos sexuais masculinos, a incapacidade de suas células de responderem aos androgênios (hormônios masculinos) resulta no desenvolvimento de características sexuais femininas. A SIA é classificada em completa (SIAc) ou parcial (SIAp), dependendo do grau de insensibilidade. A fisiopatologia envolve uma mutação no gene do receptor de androgênios (AR), localizado no cromossomo X. Na SIAc, a ausência total de função do receptor impede a virilização dos ductos de Wolff e a diferenciação da genitália externa masculina. No entanto, os testículos (presentes internamente) produzem hormônio anti-mülleriano (AMH), que inibe o desenvolvimento dos ductos de Müller, resultando na ausência de útero, tubas uterinas e terço superior da vagina. Clinicamente, indivíduos com SIAc apresentam genitália externa feminina normal, com vulva e terço inferior da vagina bem desenvolvidos, porém a vagina é curta e em fundo cego. Na puberdade, ocorre desenvolvimento mamário devido à aromatização periférica dos androgênios testiculares em estrogênios, mas não há menarca (amenorreia primária) devido à ausência de útero. O diagnóstico é frequentemente feito na adolescência devido à amenorreia primária. O manejo inclui gonadectomia para prevenir malignização dos testículos e terapia de reposição hormonal com estrogênios.

Perguntas Frequentes

Qual a causa genética da Síndrome de Morris?

A Síndrome de Morris é causada por mutações no gene do receptor de androgênios (AR) no cromossomo X, levando à insensibilidade total ou parcial aos hormônios masculinos (androgênios).

Quais são as características fenotípicas de uma pessoa com Síndrome de Morris completa?

Indivíduos com Síndrome de Morris completa possuem cariótipo XY, mas apresentam fenótipo feminino, com genitália externa feminina normal, vagina curta e cega, ausência de útero e ovários, e testículos localizados no abdome ou canal inguinal.

Há desenvolvimento de mamas na Síndrome de Morris?

Sim, na puberdade, ocorre desenvolvimento mamário devido à aromatização periférica dos androgênios produzidos pelos testículos em estrogênios, e à ausência de resposta dos tecidos aos androgênios.

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