Síndrome de Morris: Diagnóstico na Amenorreia Primária

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 19 anos de idade, amenorreia primária, com caracteres sexuais secundários presentes, 1,75 metros de altura, fenótipo feminino, com genitália externa feminina, com mamas (M5) e sem pilificação (P=0). Não tem os 2/3 superiores da vagina, não tem útero. Qual é a hipótese mais provável para esta paciente?

Alternativas

  1. A) Síndrome de Morris
  2. B) Síndrome de Asherman
  3. C) Síndrome de Sheehan.
  4. D) Síndrome de Rektanski

Pérola Clínica

Amenorreia primária + fenótipo feminino + mamas + ausência de útero/vagina superior + ausência de pilificação → Síndrome de Morris (46,XY).

Resumo-Chave

A Síndrome de Morris, ou Síndrome da Insensibilidade Androgênica Completa (SIA), é uma condição genética ligada ao X (cariótipo 46,XY) onde há resistência completa aos andrógenos. Isso resulta em desenvolvimento de testículos (internos), ausência de útero e terço superior da vagina, mas desenvolvimento de mamas e fenótipo feminino devido à aromatização periférica de andrógenos em estrogênios.

Contexto Educacional

A amenorreia primária é definida como a ausência de menarca em mulheres de 13 anos sem desenvolvimento de caracteres sexuais secundários, ou em mulheres de 15 anos com desenvolvimento de caracteres sexuais secundários. A investigação é complexa e envolve a exclusão de diversas condições genéticas, anatômicas e endócrinas. A Síndrome de Morris, ou Síndrome da Insensibilidade Androgênica Completa (SIA), é uma das causas importantes. A SIA é uma condição genética ligada ao cromossomo X, caracterizada por uma mutação no gene do receptor de andrógenos, resultando em resistência completa ou parcial à ação dos hormônios masculinos. Indivíduos com cariótipo 46,XY desenvolvem testículos que produzem testosterona e hormônio anti-mülleriano (AMH). O AMH inibe o desenvolvimento dos ductos müllerianos (útero, tubas uterinas e terço superior da vagina), enquanto a insensibilidade à testosterona impede a virilização da genitália externa e o desenvolvimento de pelos pubianos e axilares. Clinicamente, pacientes com SIA completa apresentam fenótipo feminino, mamas bem desenvolvidas (devido à aromatização periférica da testosterona em estrogênios), genitália externa feminina, mas com vagina curta e cega, e ausência de útero e ovários (possuem testículos intra-abdominais ou inguinais). A ausência de pilificação pubiana e axilar é um achado distintivo. O diagnóstico é confirmado por cariótipo 46,XY e níveis elevados de testosterona. O tratamento envolve gonadectomia para prevenir malignização dos testículos e terapia de reposição estrogênica, além de dilatação vaginal ou vaginoplastia.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da Síndrome de Morris?

A Síndrome de Morris se manifesta com amenorreia primária, fenótipo feminino, desenvolvimento mamário normal, ausência ou escassez de pelos pubianos e axilares, genitália externa feminina e ausência de útero e terço superior da vagina.

Qual o cariótipo de uma paciente com Síndrome de Morris?

O cariótipo de uma paciente com Síndrome de Morris é 46,XY, apesar do fenótipo feminino. Isso ocorre devido à insensibilidade dos receptores androgênicos, impedindo a virilização.

Como diferenciar a Síndrome de Morris da Síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser (MRKH)?

Ambas causam amenorreia primária e ausência de útero. No entanto, na Síndrome de Morris, o cariótipo é 46,XY e há ausência de pilificação, enquanto na MRKH o cariótipo é 46,XX e a pilificação é normal.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo