UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Menino de 10 anos é trazido pela mãe relatando que desde o nascimento não apresenta capacidade\nde sorrir bilateralmente, além de dificuldade de fechamento palpebral. Nega outras queixas.\nO músculo grácil será transferido para a face com objetivo de proporcionar movimento dos lábios. O nervo doador de axônio que proporciona maior chance de sucesso ao procedimento é o:
Moebius + Reanimação Facial → Transferência de Grácil + Nervo Hipoglosso (ou Masseterino).
Na Síndrome de Moebius, a ausência de nervos faciais funcionais exige o uso de nervos motores cranianos alternativos para reinervar retalhos musculares transferidos.
A Síndrome de Moebius é caracterizada pela paralisia congênita dos nervos facial (VII) e abducente (VI). A incapacidade de sorrir gera estigma social e dificuldades funcionais. A cirurgia de reanimação dinâmica busca restaurar a excursão labial.\n\nHistoricamente, o nervo hipoglosso foi muito utilizado por sua densidade axonal. Atualmente, a discussão entre o uso do hipoglosso versus o masseterino é central na cirurgia plástica reconstrutiva, avaliando-se a qualidade do sorriso resultante e a facilidade de aprendizado cortical para o acionamento do novo músculo.
O nervo hipoglosso (XII par) é um doador de axônios potente e confiável. Na reanimação facial, especialmente quando o nervo facial não está disponível (como no Moebius), a transferência parcial ou total de fibras do hipoglosso para o nervo do músculo transferido (geralmente o grácil) permite a contração muscular voluntária através do movimento da língua, que com o tempo e fisioterapia pode ser dissociado.
As principais alternativas incluem o nervo masseterino (ramo do V par) e o nervo acessório (XI par). O nervo masseterino tem ganhado preferência em muitos centros devido à sua proximidade, baixa morbidade de doação e forte impulso motor, facilitando a obtenção de um sorriso simétrico e potente.
Trata-se de uma transferência de tecido livre microcirúrgica. Um segmento do músculo grácil é colhido da coxa com seu pedículo vascular (artéria e veia) e seu nervo motor (nervo obturador). O músculo é fixado ao arco zigomático e ao modíolo labial. As anastomoses vasculares garantem a sobrevivência do tecido, enquanto a neurorrafia com o nervo doador (ex: hipoglosso) permite a função motora futura.
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