Síndrome de Mirizzi Tipo I: Diagnóstico e Manejo Cirúrgico

INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Uma paciente de 45 anos, sabidamente portadora de coleliAase, procura atendimento por estar ictérica. Apesar do histórico de cólica biliar recorrente, a paciente relata que no momento está assintomática e não teve febre. Ao exame, a paciente está em bom estado geral, normocorada, normohidratada, icterica 1+/4+ e eutrófica. Ultrassonografia realizada demonstrou vesícula biliar com parede de 3mm e cálculo de 3cm impactado no infundíbulo. Observa-se, ainda, dilatação da via biliar até nível de ducto cístico, sugerindo possível compressão extrínseca. O diagnóstico provável e a conduta são:

Alternativas

  1. A) Síndrome de Mirizzi tipo I – colecistectomia.
  2. B) Colangite – realizar colecistostomia percutânea e iniciar Piperacilina + Tazobactam.
  3. C) Colecistite aguda – colecistectomia aberta.
  4. D) Síndrome de Mirizzi tipo II – colecistectomia + coledocoplasa.
  5. E) Adenocarcinoma de vesícula biliar – cirurgia de Fain.

Pérola Clínica

Mirizzi tipo I = cálculo impactado no infundíbulo/ducto cístico → compressão extrínseca do colédoco, sem fístula → colecistectomia.

Resumo-Chave

A paciente apresenta icterícia e ultrassonografia com cálculo grande impactado no infundíbulo e dilatação da via biliar por compressão extrínseca, sem sinais de colangite ou colecistite aguda. Isso é clássico da Síndrome de Mirizzi tipo I, cuja conduta é a colecistectomia.

Contexto Educacional

A Síndrome de Mirizzi é uma complicação da colelitíase que se manifesta pela compressão extrínseca do ducto hepático comum por um cálculo impactado na vesícula biliar ou no ducto cístico. A classificação de Csendes é fundamental para guiar o tratamento, sendo o Tipo I caracterizado pela ausência de fístula colecistocoledociana, apenas com a compressão extrínseca. O reconhecimento precoce é crucial para o planejamento cirúrgico e para evitar complicações. No caso clínico apresentado, a paciente com histórico de colelitíase e icterícia, sem febre, e achados ultrassonográficos de cálculo de 3cm impactado no infundíbulo com dilatação da via biliar por compressão extrínseca, aponta claramente para a Síndrome de Mirizzi Tipo I. A ausência de sinais de colangite (febre, dor intensa, leucocitose) ou colecistite aguda (dor intensa, Murphy positivo) direciona o diagnóstico para uma obstrução biliar pura. A conduta para a Síndrome de Mirizzi Tipo I é a colecistectomia. Durante o procedimento, o cirurgião deve ter atenção redobrada à anatomia da região, que pode estar distorcida pela inflamação crônica e pelo cálculo, para evitar lesões iatrogênicas do ducto biliar. Em casos mais avançados (Tipos II a V), que envolvem fístulas colecistocoledocianas, a abordagem cirúrgica pode ser mais complexa, incluindo coledocoplastia ou derivações biliares. A compreensão detalhada da classificação e manejo é essencial para a prática cirúrgica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de Síndrome de Mirizzi Tipo I?

A Síndrome de Mirizzi Tipo I é caracterizada pela compressão extrínseca do ducto hepático comum por um cálculo impactado no infundíbulo da vesícula biliar ou no ducto cístico, sem a formação de uma fístula colecistocoledociana. Clinicamente, o paciente pode apresentar icterícia obstrutiva.

Qual é a conduta inicial para a Síndrome de Mirizzi Tipo I?

A conduta padrão para a Síndrome de Mirizzi Tipo I é a colecistectomia. O objetivo é remover a vesícula biliar e o cálculo causador da compressão, aliviando a obstrução biliar. É crucial identificar a condição pré-operatoriamente para evitar lesões iatrogênicas.

Como a ultrassonografia auxilia no diagnóstico da Síndrome de Mirizzi?

A ultrassonografia pode demonstrar um cálculo grande impactado na bolsa de Hartmann ou infundíbulo, dilatação da via biliar intra e/ou extra-hepática proximal ao nível do ducto cístico, e uma vesícula biliar com paredes espessadas. Esses achados sugerem a compressão extrínseca característica da Mirizzi.

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