Síndrome de Mirizzi Tipo IV: Conduta e Tratamento Cirúrgico

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025

Enunciado

Durante uma colecistectomia de urgência, foi diagnosticada, no intraoperatório, uma lesão compatível com síndrome de Mirizzi tipo 4. Qual deve ser o tratamento cirúrgico para esse caso?

Alternativas

  1. A) Colecistectomia com colangiografia.
  2. B) Colecistectomia e drenagem da via biliar com dreno de Kehr.
  3. C) Colecistectomia e anastomose biliodigestiva.
  4. D) Colecistectomia e coledocoplastia.

Pérola Clínica

Mirizzi Tipo IV = Fístula envolvendo toda a circunferência do ducto hepático → Anastomose biliodigestiva.

Resumo-Chave

Na Síndrome de Mirizzi tipo IV, a destruição da parede do ducto biliar é total, impedindo reparos simples ou coledocoplastias; a derivação biliodigestiva é a única opção segura.

Contexto Educacional

A Síndrome de Mirizzi é uma complicação rara da colelitíase crônica, onde um cálculo impactado no ducto cístico ou no infundíbulo da vesícula causa obstrução e inflamação do ducto hepático comum. A classificação de Csendes é a mais utilizada para guiar o tratamento: o Tipo I é apenas compressão extrínseca; Tipos II a IV envolvem fístulas de tamanhos crescentes. No Tipo IV, a inflamação crônica leva à necrose de toda a circunferência do ducto biliar. Nesses casos, não há tecido saudável remanescente para um reparo simples sobre dreno de Kehr. A reconstrução biliar através de uma anastomose biliodigestiva (geralmente hepático-jejunostomia em Y-de-Roux) é o padrão-ouro para restaurar o fluxo biliar e prevenir estenoses futuras.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a Síndrome de Mirizzi tipo IV?

De acordo com a classificação de Csendes, o tipo IV ocorre quando a fístula colecistobiliar destrói completamente a parede do ducto biliar comum em toda a sua circunferência.

Qual a diferença de tratamento entre o tipo II e o tipo IV?

No tipo II (fístula < 1/3 da circunferência), pode-se tentar o fechamento primário ou coledocoplastia. No tipo IV, a destruição é total, exigindo obrigatoriamente uma anastomose biliodigestiva, como a hepático-jejunostomia em Y-de-Roux.

Por que a colangiografia intraoperatória é importante?

A colangiografia ajuda a definir a anatomia da via biliar e a extensão da fístula, permitindo o estadiamento correto de Mirizzi e a escolha da técnica cirúrgica adequada para evitar lesões iatrogênicas.

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