Síndrome de Mirizzi: Diagnóstico e Manejo Clínico

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 34 anos de idade, procura o pronto atendimento por dor em epigástrio e hipocôndrio direito há cinco dias, associada a náuseas. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, ictérica 1+/4+, afebril, pressão arterial 120x70mmHg e frequência cardíaca 85bpm. Abdome globoso, flácido, doloroso à palpação do hipocôndrio direito. Os exames laboratoriais evidenciam: hemoglobina 12,5g/dL (VR 11,5 - 14,9g/dL); leucócitos 15.400/mm³ (VR 4.000 - 10.000/mm³); creatinina 0,5mg/dL (VR 0,5 - 1,1mg/dL); ureia 20mg/dL (VR 10 - 50mg/dL); sódio 143mEq/L (VR 135 - 145mEq/L); potássio 4,0mEq/L (VR 3,6 - 5,2mEq/L); TGO 25U/L (VR 5 - 40U/L); TGP 26U/L (VR 7 - 56U/L); fosfatase alcalina 70U/L (35 - 100U/L); gama-GT 90U/L (VR 8 - 40U/L); bilirrubinas totais 3,9mg/dL (VR 0,2 - 1,1mg/dL); bilirrubina direta 3,4mg/dL (VR < 0,3mg/dL); bilirrubina indireta 0,5mg/dL (VR 0,2 - 0,8mg/dL); amilase 40U/L (VR < 125U/L); lipase 50U/L (VR < 60U/L). Realizou colangiorressonância, mostrada a seguir: O diagnóstico apresentado pela paciente é:

Alternativas

  1. A) Trombose de veia porta
  2. B) Coledocolitíase
  3. C) Colangite aguda
  4. D) Síndrome de Mirizzi

Pérola Clínica

Dor HD + icterícia + leucocitose + GGT/BD ↑ + obstrução biliar extrínseca por cálculo → Síndrome de Mirizzi.

Resumo-Chave

A Síndrome de Mirizzi é uma complicação rara da colelitíase, onde um cálculo impactado no ducto cístico ou no infundíbulo da vesícula biliar comprime extrinsecamente o ducto hepático comum, causando icterícia obstrutiva e, por vezes, fístula colecistoentérica.

Contexto Educacional

A Síndrome de Mirizzi é uma complicação rara, mas importante, da colelitíase, caracterizada pela obstrução do ducto hepático comum devido à compressão extrínseca por um cálculo impactado no ducto cístico ou no infundíbulo da vesícula biliar (bolsa de Hartmann). Essa condição pode levar a icterícia obstrutiva, colangite e, em casos avançados, à formação de uma fístula colecistobiliar. O diagnóstico é baseado na apresentação clínica de dor em hipocôndrio direito, icterícia e, por vezes, febre, acompanhada de exames laboratoriais que indicam colestase (elevação de bilirrubina direta, gama-GT). Exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia computadorizada e, principalmente, a colangiorressonância (CPRM), são essenciais para confirmar a compressão extrínseca e avaliar a extensão da doença, incluindo a presença de fístulas. O manejo da Síndrome de Mirizzi é predominantemente cirúrgico. A colecistectomia é o tratamento definitivo, mas a complexidade do procedimento varia conforme o grau de compressão e a presença de fístula. A dissecção cuidadosa da área inflamada é fundamental para evitar lesões iatrogênicas dos ductos biliares. O reconhecimento precoce e a intervenção adequada são cruciais para prevenir complicações graves e melhorar o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da Síndrome de Mirizzi?

Os sintomas incluem dor em hipocôndrio direito, icterícia obstrutiva, náuseas e, em alguns casos, febre. Os exames laboratoriais mostram padrão colestático com elevação de bilirrubina direta e gama-GT.

Como a colangiorressonância auxilia no diagnóstico da Síndrome de Mirizzi?

A colangiorressonância (CPRM) é crucial para visualizar a compressão extrínseca do ducto hepático comum por um cálculo impactado no ducto cístico ou na bolsa de Hartmann, além de identificar possíveis fístulas biliares.

Qual a conduta terapêutica para a Síndrome de Mirizzi?

O tratamento é cirúrgico, geralmente colecistectomia, com especial atenção à dissecção da área de inflamação e fibrose. A presença de fístula colecistobiliar pode exigir reparo do ducto biliar.

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