Síndrome de Mirizzi: Classificação e Manejo Cirúrgico

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2023

Enunciado

Um paciente é submetido à uma laparotomia de urgência cujo achado foi uma fístula colecistobiliar envolvendo dois terços da circunferência do duto biliar comum. A correta classificação da Síndrome de Mirizzi, é:

Alternativas

  1. A) Tipo I
  2. B) Tipo II
  3. C) Tipo III
  4. D) Tipo IV
  5. E) Tipo V

Pérola Clínica

Síndrome de Mirizzi Tipo III = fístula colecistobiliar com erosão de 1/3 a 2/3 da circunferência do ducto biliar comum.

Resumo-Chave

A Síndrome de Mirizzi é uma complicação rara da colelitíase, onde um cálculo impactado no ducto cístico ou infundíbulo da vesícula biliar causa compressão extrínseca do ducto biliar comum, podendo levar à formação de uma fístula colecistobiliar. A classificação de Csendes define os tipos de fístula com base na extensão da erosão do ducto biliar comum.

Contexto Educacional

A Síndrome de Mirizzi é uma condição incomum, mas clinicamente significativa, caracterizada pela obstrução do ducto biliar comum devido à compressão extrínseca por um cálculo impactado no infundíbulo da vesícula biliar ou no ducto cístico. Sua epidemiologia é baixa, ocorrendo em cerca de 0,1% a 2,5% dos pacientes com colelitíase, mas é crucial reconhecê-la devido à sua complexidade cirúrgica. A fisiopatologia envolve a inflamação crônica causada pelo cálculo, que leva à necrose por pressão e, eventualmente, à formação de uma fístula entre a vesícula biliar e o ducto biliar comum (fístula colecistobiliar). A classificação de Csendes é fundamental para o diagnóstico e planejamento terapêutico, categorizando a síndrome com base na presença e extensão da fístula, desde a compressão extrínseca (Tipo I) até a erosão completa do ducto biliar comum (Tipo IV) e a presença de fístula enterobiliar (Tipo V). O tratamento da Síndrome de Mirizzi é cirúrgico, geralmente uma colecistectomia. No entanto, a presença de uma fístula colecistobiliar e a extensão da erosão do ducto biliar comum tornam o procedimento desafiador, podendo exigir reparo do ducto biliar com sutura primária, uso de retalho de vesícula biliar ou derivações bilioentéricas. O prognóstico depende do diagnóstico precoce e da experiência do cirurgião.

Perguntas Frequentes

Como é classificada a Síndrome de Mirizzi?

A Síndrome de Mirizzi é classificada pela escala de Csendes, que varia de Tipo I (compressão extrínseca sem fístula) a Tipo V (fístula colecistobiliar com fístula enterobiliar). Os tipos II, III e IV são diferenciados pela extensão da erosão do ducto biliar comum.

Qual a importância da classificação de Mirizzi para a cirurgia?

A classificação é crucial para o planejamento cirúrgico, pois determina a complexidade da colecistectomia e a necessidade de reparo do ducto biliar comum. Isso influencia a técnica a ser empregada, que pode variar de colecistectomia parcial a derivações bilioentéricas, e o risco de complicações.

Quais são as complicações da Síndrome de Mirizzi?

As complicações incluem icterícia obstrutiva, colangite, fístula colecistobiliar com erosão do ducto biliar comum e, em casos mais avançados, fístula enterobiliar. O diagnóstico tardio pode levar a dificuldades técnicas significativas durante a cirurgia.

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