Síndrome de Mirizzi: Diagnóstico e Manejo em Colelitíase

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2015

Enunciado

Homem, 60 anos, chega em seu consultório em bom estado geral com queixa de dor em hipocôndrio direito, náuseas e vômitos há mais ou menos 6 meses quando ingere alimentos gordurosos. Trouxe ultrassom de abdome realizado na semana anterior quando ele procurou a urgência devido a dor com a conclusão de colelitíase com cálculo de 3,0 cm no infundíbulo. Sobre este caso, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) O paciente corre o risco de ter síndrome de Mirizzi caso evolua com icterícia.
  2. B) O paciente tem indicação de fazer colangiorressonância.
  3. C) O paciente deve fazer CPRE antes da colecistectomia. 
  4. D) Deve-se complementar com tomografia de abdome para melhor avaliação.
  5. E) O ideal é esfriar o processo e fazer tratamento conservador devido a idade avançada do paciente.

Pérola Clínica

Cálculo biliar impactado no infundíbulo + icterícia → Suspeitar Síndrome de Mirizzi (compressão ducto hepático comum).

Resumo-Chave

A síndrome de Mirizzi é uma complicação rara da colelitíase, onde um cálculo impactado no ducto cístico ou infundíbulo da vesícula biliar comprime o ducto hepático comum, levando à icterícia obstrutiva. A presença de um cálculo grande no infundíbulo, como no caso, é um fator de risco importante para essa condição, que requer atenção cirúrgica especializada.

Contexto Educacional

A colelitíase sintomática, caracterizada por cólica biliar, náuseas e vômitos após refeições gordurosas, é uma condição comum que geralmente tem indicação de colecistectomia. No entanto, a presença de um cálculo grande e impactado no infundíbulo da vesícula biliar pode levar a complicações mais sérias, como a Síndrome de Mirizzi. A Síndrome de Mirizzi é uma complicação rara, mas grave, da colelitíase, onde um cálculo biliar impactado no ducto cístico ou no infundíbulo da vesícula biliar causa compressão extrínseca do ducto hepático comum, resultando em icterícia obstrutiva. Existem diferentes tipos de Síndrome de Mirizzi, que variam desde a compressão pura até a formação de fístulas colecistoentéricas. O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações e planejar a abordagem cirúrgica adequada. O diagnóstico é suspeito clinicamente pela presença de icterícia em um paciente com colelitíase. Exames de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada e, principalmente, colangiorressonância (MRCP) são essenciais para confirmar a compressão e avaliar a anatomia biliar. O tratamento é cirúrgico, com colecistectomia, mas a presença da Síndrome de Mirizzi torna o procedimento mais desafiador devido à inflamação local e à alteração anatômica, exigindo, por vezes, reparo do ducto biliar ou procedimentos mais complexos. A idade avançada do paciente não contraindica a cirurgia para colelitíase sintomática ou suas complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas da Síndrome de Mirizzi?

Os sintomas da Síndrome de Mirizzi são semelhantes aos da colelitíase, mas com a adição de icterícia obstrutiva. O paciente pode apresentar dor em hipocôndrio direito, náuseas, vômitos, febre e, caracteristicamente, coloração amarelada da pele e escleras.

Como é feito o diagnóstico da Síndrome de Mirizzi?

O diagnóstico da Síndrome de Mirizzi é suspeito clinicamente e confirmado por exames de imagem. O ultrassom pode mostrar o cálculo impactado e dilatação das vias biliares intra-hepáticas. A colangiorressonância (MRCP) ou a colangiografia (CPRE ou intraoperatória) são os exames mais definitivos para visualizar a compressão extrínseca do ducto hepático comum.

Qual é o tratamento para a Síndrome de Mirizzi?

O tratamento da Síndrome de Mirizzi é cirúrgico, geralmente colecistectomia. No entanto, devido à inflamação e à potencial fístula colecistoentérica, a cirurgia pode ser mais complexa e exigir reparo do ducto biliar, sendo muitas vezes realizada por cirurgiões experientes em vias biliares.

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