Síndrome de Mirizzi e Íleo Biliar: Diagnóstico e Manejo

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2021

Enunciado

Um paciente de 68 anos de idade, diabético controlado, dá entrada no hospital com sepse de foco abdominal, taquicárdico, dispneico, com murphy + à palpação e abdome muito distendido com relatos de parada de eliminação de gazes e fezes. Realizou ultrassom de abdome que evidenciou colecistite aguda enfisematosa complicada e bloqueada. Foi submetido a laparatomia exploradora em que se notou fístula entre a vesícula e duodeno e com cálculo biliar impactando a válvula íleo cecal, caracterizando um síndrome de Mirizzi com íleo biliar. Nessa situação, a melhor conduta e a classificação do Mirizzi seriam, respectivamnete:

Alternativas

  1. A) colectomia direita e drenagem percutânea da via biliar e Mirizzi tipo II.
  2. B) ileostomia em alça com colangiografia intraoperatória e Mirizzi tipo IV.
  3. C) enterotomia com retirada do cálculo com colecistectomia e Mirizzi tipo Vb.
  4. D) colostomia em Alça com colecistectomia e Mirizzi tipo III.
  5. E) enterectomia com colecistendese e Mirizzi tipo Va.

Pérola Clínica

Síndrome de Mirizzi + íleo biliar = fístula colecistoentérica + cálculo impactado (geralmente íleo). Conduta: enterotomia + retirada cálculo + colecistectomia. Mirizzi Vb.

Resumo-Chave

A Síndrome de Mirizzi é uma complicação rara da colelitíase, caracterizada pela compressão extrínseca do ducto hepático comum por um cálculo impactado no infundíbulo da vesícula biliar ou ducto cístico. Quando há formação de fístula colecistoentérica e migração do cálculo para o intestino, causando obstrução, configura-se o íleo biliar. A classificação de Mirizzi Vb indica fístula colecistoentérica com íleo biliar. A conduta envolve a resolução da obstrução intestinal (enterotomia e retirada do cálculo) e o tratamento da doença biliar (colecistectomia).

Contexto Educacional

A Síndrome de Mirizzi é uma complicação rara da colelitíase, caracterizada pela impactação de um cálculo no ducto cístico ou infundíbulo da vesícula biliar, causando compressão extrínseca do ducto hepático comum. Essa compressão pode levar à inflamação, necrose e formação de uma fístula entre a vesícula biliar e o trato gastrointestinal adjacente, mais comumente o duodeno. É um desafio diagnóstico e terapêutico para residentes de cirurgia. Quando essa fístula colecistoentérica se forma e um cálculo biliar migra para o intestino, ele pode causar uma obstrução mecânica, conhecida como íleo biliar. O local mais comum de impactação é a válvula ileocecal, devido ao seu menor diâmetro. O quadro clínico é de obstrução intestinal, muitas vezes em pacientes idosos com história de colelitíase. A colecistite aguda enfisematosa, como no caso, é uma complicação grave que indica infecção por germes produtores de gás. A classificação de Mirizzi é fundamental para guiar a conduta. O tipo Vb, como no caso, descreve a presença de fístula colecistoentérica com íleo biliar. O tratamento envolve a resolução da obstrução intestinal, geralmente por enterotomia e retirada do cálculo (enterolitotomia), seguida pela colecistectomia para tratar a fístula e a doença biliar. A abordagem cirúrgica deve ser cuidadosa devido à inflamação e à anatomia alterada.

Perguntas Frequentes

O que é a Síndrome de Mirizzi e como ela se relaciona com o íleo biliar?

A Síndrome de Mirizzi é a compressão extrínseca do ducto hepático comum por um cálculo impactado no ducto cístico ou infundíbulo da vesícula. Quando essa compressão leva à formação de uma fístula colecistoentérica e o cálculo migra para o intestino, causando obstrução, ocorre o íleo biliar.

Qual a classificação de Mirizzi que inclui o íleo biliar?

A classificação de Mirizzi tipo V é utilizada para fístulas colecistoentéricas. O subtipo Vb especificamente descreve a presença de fístula colecistoentérica com íleo biliar, onde o cálculo biliar causa obstrução intestinal.

Qual a conduta cirúrgica para Síndrome de Mirizzi tipo Vb com íleo biliar?

A conduta cirúrgica envolve primeiramente a resolução da obstrução intestinal, geralmente por enterotomia e retirada do cálculo impactado (enterolitotomia). Posteriormente, ou no mesmo tempo cirúrgico, realiza-se a colecistectomia para tratar a doença biliar subjacente e a fístula.

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