UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico de síndrome de Mirizzi.
Síndrome de Mirizzi = Obstrução extrínseca do ducto hepático comum por um cálculo impactado no infundíbulo vesicular ou ducto cístico.
A Síndrome de Mirizzi é uma causa rara de icterícia obstrutiva. Ela ocorre quando um cálculo biliar impactado no ducto cístico ou no infundíbulo da vesícula causa uma inflamação local que comprime extrinsecamente o ducto hepático comum.
A Síndrome de Mirizzi é uma complicação rara e desafiadora da colelitíase crônica, descrita pela primeira vez por Pablo Mirizzi em 1948. Sua incidência varia de 0,1% a 2,7% dos pacientes submetidos à colecistectomia. A condição é definida pela obstrução do ducto hepático comum ou do colédoco causada por uma compressão extrínseca, geralmente por um cálculo impactado no infundíbulo da vesícula biliar (bolsa de Hartmann) ou no ducto cístico. A fisiopatologia envolve a impactação do cálculo, que leva a um processo inflamatório crônico local (colecistite crônica). Essa inflamação se estende aos tecidos adjacentes, incluindo o ducto hepático comum, resultando em sua compressão e estenose. Com a progressão, pode ocorrer erosão e formação de uma fístula colecistobiliar. O quadro clínico clássico é de dor em hipocôndrio direito, febre e icterícia, mimetizando outras causas de obstrução biliar como a coledocolitíase ou colangiocarcinoma. O diagnóstico pré-operatório é fundamental para evitar lesões iatrogênicas da via biliar durante a cirurgia. A ultrassonografia é o exame inicial, mas a colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) é o método não invasivo de escolha para confirmar a suspeita. O tratamento é cirúrgico e sua complexidade é guiada pela classificação de Csendes, variando desde uma colecistectomia cuidadosa até procedimentos de reconstrução da via biliar.
A ultrassonografia pode mostrar a 'tríade de Mirizzi': vesícula biliar contraída, um grande cálculo impactado no infundíbulo e dilatação da via biliar a montante da obstrução. A colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) ou a CPRE são mais acuradas para confirmar o diagnóstico e avaliar a anatomia.
O tratamento é cirúrgico, mas a abordagem é complexa e desafiadora. Frequentemente, a colecistectomia laparoscópica é convertida para aberta devido à intensa inflamação e ao risco de lesão da via biliar. Dependendo da gravidade, pode ser necessária uma colecistectomia parcial ou até derivações biliodigestivas.
A classificação de Csendes descreve a evolução da síndrome, desde a compressão extrínseca (Tipo I) até a formação de fístulas colecistobiliares de tamanhos crescentes (Tipos II a IV) e fístula colecistoentérica (Tipo V). Ela ajuda a prever a complexidade cirúrgica e a planejar o reparo adequado.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo