UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2023
Mulher, 40 anos, refere dor abdominal recorrente em região de hipocôndrio direito relacionada à ingesta de alimentação gordurosa, todavia nunca foi realizada investigação diagnóstica. Posteriormente, percebeu icterícia leve e procurou atendimento médico. Nega febre associada. Exame físico: estável hemodinamicamente; ictérica (1+/4+). Ultrassonografia (US) de abdome superior: vesícula biliar com parede de 2mm contendo cálculo de 2cm em seu interior; dilatação de via biliar até nível de ducto cístico, sugestivo de compressão extrínseca. Pode-se afirmar que a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta mais adequada são:
Síndrome de Mirizzi = cálculo em ducto cístico/bolsa de Hartmann comprimindo via biliar principal → icterícia obstrutiva.
A Síndrome de Mirizzi é caracterizada pela compressão extrínseca da via biliar principal por um cálculo impactado no ducto cístico ou na bolsa de Hartmann, levando a icterícia obstrutiva. O tipo I envolve apenas compressão, enquanto tipos mais avançados podem ter fístula.
A Síndrome de Mirizzi é uma complicação rara da colelitíase, caracterizada pela compressão extrínseca do ducto hepático comum ou do colédoco por um cálculo biliar impactado no ducto cístico ou na bolsa de Hartmann. Essa compressão leva a uma obstrução biliar, resultando em icterícia. A ausência de febre alta sugere que não há uma colangite aguda grave, mas a icterícia indica obstrução significativa. O diagnóstico é frequentemente desafiador e pode ser sugerido por ultrassonografia, que mostra dilatação da via biliar acima do nível do ducto cístico, e confirmado por exames como a colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) ou colangiografia intraoperatória. A classificação de Mirizzi varia de Tipo I (compressão extrínseca) a Tipos II-V (com formação de fístula colecistocoledociana ou colecistoentérica). A conduta para a Síndrome de Mirizzi é cirúrgica, sendo a colecistectomia o tratamento de escolha. No Tipo I, a remoção do cálculo e da vesícula biliar é geralmente suficiente. Em tipos mais avançados, que envolvem fístulas, a cirurgia pode ser mais complexa, exigindo reparo da via biliar ou derivações biliodigestivas. O caso descrito, com dilatação da via biliar até o ducto cístico e compressão extrínseca, é altamente sugestivo de Síndrome de Mirizzi tipo I.
Os sintomas incluem dor em hipocôndrio direito, icterícia obstrutiva (sem febre ou com febre leve), náuseas e vômitos, semelhantes aos de colecistite ou coledocolitíase, mas com a particularidade da obstrução extrínseca.
O diagnóstico é frequentemente suspeitado por ultrassonografia, que mostra dilatação da via biliar acima do nível do ducto cístico, e confirmado por colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) ou colangiografia intraoperatória.
A conduta para a Síndrome de Mirizzi tipo I, que envolve apenas compressão extrínseca sem fístula, é a colecistectomia, muitas vezes com remoção cuidadosa do cálculo impactado e avaliação da via biliar para garantir a desobstrução.
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