UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2023
Paciente do sexo feminino, 35 anos, obesa, com história conhecida de colelitíase, referindo dor em hipocôndrio direito de aspecto intermitente e crônico, piorou há 4 dias, quando se tornou constante, associado a calafrios esporádicos. Refere três episódios de vômitos neste período. Ao exame físico, apresentase em regular estado geral, desidratada 2+, estável hemodinamicamente, com FC 100bpm, pele quente, pulso cheio. Abdome é sensível na topografia do quadrante superior direito. Laboratoriais com hemoglobina 12, leucócitos de 14.000/mm³, canaliculares elevadas, creatinina 1,5, INR 1,0. Realizado ultrassom de abdome total, que demonstrou cálculo impactado no infundíbulo da vesícula biliar, obstruindo o ducto biliar. Qual o diagnóstico e a classificação de Tokyo?
Síndrome de Mirizzi = cálculo impactado no ducto cístico/infundíbulo comprimindo ducto hepático comum. Tokyo II = colecistite moderada.
A Síndrome de Mirizzi é uma complicação rara da colelitíase onde um cálculo no infundíbulo da vesícula ou ducto cístico comprime o ducto hepático comum, causando icterícia obstrutiva. A classificação de Tokyo para colecistite aguda avalia a gravidade, sendo o grau II caracterizado por leucocitose > 12.000, massa palpável, dor > 72h ou inflamação local acentuada.
A Síndrome de Mirizzi é uma complicação rara da colelitíase, caracterizada pela compressão extrínseca do ducto hepático comum ou coledocolitíase por um cálculo impactado no infundíbulo da vesícula biliar ou no ducto cístico. Sua prevalência varia de 0,1% a 2,5% dos pacientes submetidos à colecistectomia, sendo crucial o reconhecimento pré-operatório para evitar complicações. Clinicamente, pode apresentar-se com dor em hipocôndrio direito, icterícia e, em casos mais graves, colangite. O diagnóstico da Síndrome de Mirizzi é frequentemente desafiador e baseia-se na suspeita clínica e exames de imagem. A ultrassonografia pode evidenciar o cálculo impactado e a dilatação das vias biliares intra-hepáticas. A colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) ou a colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (CPER) são mais definitivas para delinear a anatomia biliar e a extensão da compressão ou fístula. A classificação de Csendes é utilizada para estadiar a síndrome, guiando a abordagem cirúrgica. O tratamento definitivo é cirúrgico, geralmente colecistectomia. A complexidade da cirurgia depende do grau da síndrome de Mirizzi, podendo variar de uma colecistectomia simples a procedimentos mais elaborados com reparo ou reconstrução da via biliar. A Classificação de Tokyo para colecistite aguda, embora não específica para Mirizzi, é relevante para avaliar a gravidade da colecistite associada, orientando a necessidade de drenagem e o timing cirúrgico, especialmente em casos de grau II (moderada) ou III (grave) que podem exigir manejo mais agressivo.
A Síndrome de Mirizzi manifesta-se com dor em hipocôndrio direito, icterícia obstrutiva e, por vezes, colangite, devido à compressão do ducto hepático comum por um cálculo biliar.
A Classificação de Tokyo divide a colecistite em graus I (leve), II (moderada) e III (grave), baseando-se em critérios como sinais de inflamação sistêmica, inflamação local e disfunção orgânica.
O tratamento da Síndrome de Mirizzi geralmente envolve colecistectomia, que pode ser complexa devido à inflamação e à fístula colecistoentérica, exigindo, por vezes, reconstrução biliar.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo