Síndrome de Mirizzi: Diagnóstico e Complicações

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025

Enunciado

Paciente, sexo feminino, 34 anos, história de dor abdominal recorrente em quadrantes superiores, procura serviço de urgência com novo episódio de dor abdominal e icterícia de início recente. Realizou exames laboratoriais que evidenciaram leucocitose, hiperbilirrubinemia, aumento de transaminases e canaliculares. Foi submetida a exame de imagem com resultado abaixo:Qual o provável diagnóstico da paciente?

Alternativas

  1. A) Colecistite aguda não complicada
  2. B) Sindrome de Mirizzi
  3. C) Coledocolitíase com colangite
  4. D) Pancreatite aguda biliar
  5. E) Colangiocarcinoma

Pérola Clínica

Síndrome de Mirizzi = cálculo impactado no ducto cístico/colo da vesícula → compressão extrínseca ou fístula no ducto hepático comum → icterícia obstrutiva.

Resumo-Chave

A Síndrome de Mirizzi é uma complicação rara da colelitíase, onde um cálculo biliar impactado no ducto cístico ou no infundíbulo da vesícula biliar causa compressão extrínseca do ducto hepático comum, resultando em icterícia obstrutiva e colangite. O quadro clínico, com dor abdominal, icterícia e alterações laboratoriais colestáticas, é sugestivo.

Contexto Educacional

A Síndrome de Mirizzi é uma complicação incomum da colelitíase, caracterizada pela impactação de um cálculo biliar no ducto cístico ou no infundíbulo da vesícula biliar, que causa compressão extrínseca do ducto hepático comum ou a formação de uma fístula colecistobiliar. Essa condição leva a um quadro de icterícia obstrutiva e, frequentemente, colangite, mimetizando outras causas de obstrução biliar. Clinicamente, os pacientes apresentam dor abdominal em quadrante superior direito, icterícia, febre e, laboratorialmente, leucocitose, hiperbilirrubinemia direta e elevação de enzimas canaliculares. O diagnóstico é desafiador e muitas vezes feito durante a investigação de icterícia obstrutiva. Exames de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada e, principalmente, a colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) ou colangiografia endoscópica retrógrada (CPRE) são cruciais para a identificação da compressão ou fístula. O tratamento da Síndrome de Mirizzi é cirúrgico, geralmente colecistectomia, mas a presença da compressão ou fístula torna o procedimento mais complexo e com maior risco de lesão das vias biliares. A classificação de Csendes é utilizada para estadiar a fístula e guiar a abordagem cirúrgica. O reconhecimento precoce é fundamental para um planejamento cirúrgico adequado e para evitar complicações graves.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos e laboratoriais da Síndrome de Mirizzi?

Os pacientes geralmente apresentam dor abdominal em quadrante superior direito, icterícia obstrutiva, febre e, laboratorialmente, leucocitose, hiperbilirrubinemia (predomínio direto) e elevação de enzimas canaliculares (FA, GGT).

Como a Síndrome de Mirizzi é diagnosticada por imagem?

A ultrassonografia pode mostrar o cálculo impactado e a dilatação das vias biliares intra-hepáticas. A colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) ou a colangiografia endoscópica retrógrada (CPRE) são os exames mais definitivos, mostrando a compressão extrínseca ou a fístula colecistobiliar.

Qual a diferença entre Síndrome de Mirizzi e coledocolitíase?

Na coledocolitíase, o cálculo está diretamente dentro do ducto colédoco. Na Síndrome de Mirizzi, o cálculo está impactado no ducto cístico ou colo da vesícula, causando compressão extrínseca ou fístula no ducto hepático comum, mimetizando uma obstrução do colédoco.

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