Diplopia e Motilidade Ocular: Síndrome de Millard-Gubler

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2018

Enunciado

Paciente em investigação por diplopia, apresenta o exame de motilidade externa evidenciado pela sequência abaixo, sem outras alterações ao exame ocular. Considerando a principal hipótese diagnóstica com base nos dados apresentados, qual a alternativa correta?

Alternativas

  1. A) Apresenta midríase quando há lesão completa do par craniano envolvido.
  2. B) O paciente apresenta quadro compatível com oftalmoplegia internuclear.
  3. C) Pode estar associada a paralisia facial periférica e hemiplegia contralateral.
  4. D) Traumatismo da região troclear é uma causa possível.

Pérola Clínica

VI par + Paralisia facial ipsilateral + Hemiplegia contralateral = Síndrome de Millard-Gubler (Ponte).

Resumo-Chave

Lesões no tronco encefálico (ponte) podem afetar simultaneamente o núcleo do VI par, as fibras do VII par e o trato corticoespinhal.

Contexto Educacional

A investigação da diplopia exige diferenciar causas restritivas, miogênicas e neurogênicas. O VI par (abducente) tem o trajeto intracraniano mais longo, sendo vulnerável a aumentos da pressão intracraniana. No entanto, quando associado a outros déficits neurológicos, sugere localização no tronco encefálico. A Síndrome de Millard-Gubler é um exemplo clássico de lesão na base da ponte. Outras síndromes pontinas incluem a de Foville (que adiciona paralisia do olhar conjugado horizontal). O diagnóstico diferencial preciso é vital para guiar exames de imagem e intervenções neurocirúrgicas ou clínicas.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a Síndrome de Millard-Gubler?

É uma síndrome alterna do tronco encefálico (ponte) caracterizada por paralisia do nervo abducente (VI par) e do nervo facial (VII par) ipsilaterais à lesão, associada a hemiplegia contralateral (devido ao acometimento do trato corticoespinhal antes da decussação das pirâmides).

Qual a clínica da paralisia do VI par craniano?

O paciente apresenta diplopia binocular horizontal que piora ao olhar para o lado da lesão, com limitação da abdução do olho afetado e esotropia (desvio para dentro) em posição primária do olhar.

Por que a midríase não é comum na lesão do VI par?

A midríase está associada a lesões do III par craniano (oculomotor), que carrega fibras parassimpáticas para o esfíncter da pupila. O VI par inerva exclusivamente o músculo reto lateral e não possui função autonômica pupilar.

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