SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2024
Um homem de 50 anos procura atendimento médico com queixas de fadiga, petéquias e infecções recorrentes. Os exames laboratoriais revelam pancitopenia significativa, com hemácias, leucócitos e plaquetas abaixo dos valores normais. O esfregaço de sangue periférico mostra células precursoras anormais. Qual é o diagnóstico mais provável para esse paciente e qual seria a conduta inicial apropriada?
Pancitopenia + células precursoras anormais em adulto > 50 anos → Síndrome Mielodisplásica (SMD); conduta inicial: suporte com hemoderivados.
A Síndrome Mielodisplásica (SMD) é o diagnóstico mais provável em um paciente de 50 anos com pancitopenia, fadiga, petéquias e infecções recorrentes, e a presença de células precursoras anormais no esfregaço. A conduta inicial foca no tratamento de suporte, incluindo reposição de hemoderivados.
A Síndrome Mielodisplásica (SMD) é um grupo heterogêneo de distúrbios clonais das células-tronco hematopoéticas caracterizado por hematopoese ineficaz e displásica, resultando em citopenias no sangue periférico e risco variável de transformação em leucemia mieloide aguda (LMA). É mais comum em idosos, com idade média de diagnóstico em torno dos 70 anos, mas pode ocorrer em pacientes mais jovens, como no caso apresentado. A apresentação clínica é inespecífica, com sintomas relacionados às citopenias: fadiga (anemia), sangramentos (trombocitopenia) e infecções recorrentes (neutropenia). O diagnóstico de SMD é suspeitado pela presença de pancitopenia e confirmado pela análise da medula óssea, que revela displasia em uma ou mais linhagens mieloides e uma porcentagem de blastos inferior a 20%. A presença de "células precursoras anormais" no esfregaço de sangue periférico, como mencionado no enunciado, é um achado chave que aponta para um distúrbio mielodisplásico. O diagnóstico diferencial inclui anemia aplásica, deficiências vitamínicas e outras causas de citopenias. A conduta inicial para a maioria dos pacientes com SMD de baixo risco ou risco intermediário-1 (segundo o IPSS-R) é o tratamento de suporte, que visa aliviar os sintomas das citopenias. Isso inclui transfusões de concentrado de hemácias para anemia e concentrado de plaquetas para trombocitopenia sintomática ou profilática em casos de sangramento. O uso de fatores estimuladores de colônias (G-CSF para neutropenia) e agentes hipometilantes (azacitidina, decitabina) ou lenalidomida (para SMD com del(5q)) pode ser considerado em casos específicos, mas a reposição de hemoderivados é a base do tratamento de suporte. O transplante de medula óssea é a única terapia curativa, mas é reservado para pacientes mais jovens e com alto risco.
O diagnóstico de SMD requer a presença de citopenias persistentes, displasia em uma ou mais linhagens hematopoéticas na medula óssea e/ou no sangue periférico, e exclusão de outras causas de citopenia. A porcentagem de blastos na medula óssea é crucial para a classificação.
A reposição de hemoderivados (concentrado de hemácias e plaquetas) é o tratamento de suporte essencial para controlar os sintomas da pancitopenia, como fadiga (anemia), sangramentos (trombocitopenia) e infecções (neutropenia), melhorando a qualidade de vida do paciente.
A principal diferença está na porcentagem de blastos na medula óssea. Na SMD, a porcentagem de blastos é inferior a 20%, enquanto na LMA, é igual ou superior a 20%. A SMD pode, no entanto, evoluir para LMA.
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