SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2022
Criança de 8 anos de idade, masculino, com quadro clínico de obesidade com IMC acima de z-score +3, presença de acantose nigricans em região cervical, obesidade central com circunferência abdominal acima de P90 para idade e sexo, estrias claras em abdomen e membros inferiores, pressão sistólica acima de P90 para a idade, exames laboratoriais mostrando resistência à insulina e triglicerídeos acima de 110 mg/dL. Observando o quadro clínico descrito, qual a assertiva correta sobre os fatores associados à fisiopatologia da Síndrome Metabólica?
Obesidade central (circunferência abdominal ↑) em crianças = risco cardiovascular independente.
A obesidade central, medida pela circunferência abdominal, é um marcador mais preciso de acúmulo de gordura visceral e, consequentemente, de risco cardiovascular e metabólico em crianças do que apenas o IMC. A gordura visceral é metabolicamente mais ativa e libera citocinas pró-inflamatórias.
A Síndrome Metabólica Pediátrica é um conjunto de fatores de risco que aumentam a probabilidade de doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2 na vida adulta. Sua prevalência tem crescido globalmente devido ao aumento da obesidade infantil, tornando seu reconhecimento e manejo cruciais na prática pediátrica e clínica geral. A fisiopatologia envolve principalmente a resistência à insulina, frequentemente associada à obesidade central. A gordura visceral libera citocinas pró-inflamatórias e ácidos graxos livres, que contribuem para a disfunção endotelial, dislipidemia, hipertensão e intolerância à glicose. O diagnóstico se baseia em critérios adaptados para a idade e sexo, incluindo circunferência abdominal, pressão arterial, triglicerídeos, HDL e glicemia. O tratamento visa a modificação do estilo de vida, com dieta saudável e aumento da atividade física, como pilares fundamentais. Em alguns casos, pode ser necessário o uso de medicamentos para controlar componentes específicos, como hipertensão ou dislipidemia. O prognóstico depende da intervenção precoce, pois a persistência da síndrome metabólica na adolescência e vida adulta aumenta significativamente o risco de morbimortalidade.
Os critérios para síndrome metabólica em crianças são adaptados dos adultos, incluindo obesidade central (circunferência abdominal > P90), triglicerídeos elevados, HDL baixo, pressão arterial elevada e glicemia de jejum alterada ou resistência à insulina.
A circunferência abdominal reflete diretamente o acúmulo de gordura visceral, que é metabolicamente mais ativa e associada a maior risco de resistência à insulina, dislipidemia e hipertensão, independentemente do IMC total.
As complicações incluem diabetes mellitus tipo 2 precoce, doenças cardiovasculares (aterosclerose, hipertensão, dislipidemia), esteatose hepática não alcoólica e síndrome dos ovários policísticos em meninas.
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