FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2020
Adolescente, masculino, 12 anos e 6 meses, negro, vem à consulta para avaliação dos resultados de exames. Exame físico: altura = 160cm, índice de massa corpórea (IMC) = 26 kg/m2 (escore Z +2,3), pressão arterial (PA) = 122 x 77 mmHg (entre p90 e 95, valores idênticos obtidos em duas outras ocasiões), circunferência abdominal (CA) = 88cm (> p90), Tanner = G3P3. Sem alterações no restante do exame físico. Exames laboratoriais: colesterol total = 200 mg/dL (desejável < 150 e aumentado ≥ 170 mg/dL), HDL = 30 mg/dL (desejável ≥ 45 mg/dL), LDL = 128 mg/dL (desejável < 100 e aumentado ≥ 130 mg/dL), triglicérides = 210 mg/dL (desejável < 100 e aumentado ≥ 130 mg/dL), glicemia de jejum = 91 mg/dL (desejável < 100 mg/dL), insulina basal = 24 μU/mL (valor de referência = 2,6 a 24,9 μU/mL), HOMA-IR = 4,8 (valor de referência 2,5 a 4). Quais os diagnósticos deste paciente?
Adolescente com ≥3 critérios (obesidade, PA↑, TG↑, HDL↓, glicemia↑) = Síndrome Metabólica.
A síndrome metabólica em adolescentes é diagnosticada pela presença de obesidade abdominal, mais dois dos seguintes: hipertensão arterial, hipertrigliceridemia, HDL baixo ou glicemia de jejum elevada. A resistência à insulina é um componente chave.
A Síndrome Metabólica (SM) em adolescentes é um conjunto de fatores de risco cardiometabólicos que aumentam a probabilidade de desenvolver diabetes mellitus tipo 2 e doenças cardiovasculares na vida adulta. Sua prevalência tem aumentado em paralelo com a epidemia de obesidade infantil. O reconhecimento precoce é crucial para intervenções eficazes. Os critérios diagnósticos para SM em adolescentes variam ligeiramente entre as sociedades, mas geralmente incluem obesidade abdominal (circunferência abdominal > percentil 90 para idade e sexo) e a presença de pelo menos dois dos seguintes: hipertensão arterial (PA > percentil 90 para idade, sexo e altura), hipertrigliceridemia (TG ≥ 130 mg/dL), HDL-colesterol baixo (HDL < 45 mg/dL) e glicemia de jejum alterada (glicemia ≥ 100 mg/dL) ou resistência à insulina. O HOMA-IR é um bom indicador de resistência à insulina. A conduta envolve principalmente mudanças no estilo de vida, como dieta saudável, aumento da atividade física e perda de peso gradual. O tratamento farmacológico é reservado para casos específicos e deve ser individualizado. O prognóstico melhora significativamente com a intervenção precoce, reduzindo o risco de comorbidades futuras.
Embora não haja um consenso único, geralmente inclui obesidade abdominal (CA > p90) mais dois dos seguintes: triglicerídeos elevados, HDL baixo, pressão arterial elevada e glicemia de jejum alterada ou resistência à insulina.
O HOMA-IR (Homeostasis Model Assessment - Insulin Resistance) é um índice que estima a resistência à insulina. Valores acima de 2,5 a 4 (dependendo da população) são sugestivos de resistência à insulina em adolescentes.
O diagnóstico precoce permite intervenções no estilo de vida para prevenir a progressão para diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e outras complicações metabólicas na vida adulta.
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