UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2022
Paciente M. C. S. de 35 anos vem para consulta médica com queixa de ganho de 15 kg nos últimos 24 meses, após sua última gestação. Refere que tem preferência por doces, não faz lanches, passa o dia trabalhando e come mais à noite, quando chega em casa. É sedentária, nega tabagismo, nega diagnósticos prévios e não faz uso de qualquer medicação. Teve 3 gestações e 3 partos vaginais, sem intercorrências. Sua mãe é diabética e seu pai morreu aos 57 anos de infarto agudo do miocárdio. Ao exame: peso 89 kg, estatura 155 cm, PA 140 x 85 mmHg, cintura 97 cm. Traz os seguintes exames: glicemia 104 mg/dL; colesterol total 225 mg/dL; triglicerídeos 188 mg/dL; HDL 33mg/dL. Marque a afirmativa correta.
Síndrome Metabólica: ≥3 critérios (obesidade abdominal, TG↑, HDL↓, PA↑, GJ↑). Manejo inicial → Modificação estilo de vida.
A paciente preenche 5 critérios para Síndrome Metabólica (circunferência de cintura, triglicerídeos, HDL, pressão arterial e glicemia de jejum). Embora não tenha Diabetes Mellitus tipo 2, a glicemia de jejum alterada e os demais fatores de risco exigem intervenção imediata com modificação do estilo de vida para prevenir complicações cardiovasculares e progressão para DM2.
A Síndrome Metabólica é uma condição complexa caracterizada por um conjunto de fatores de risco que aumentam significativamente a probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2. Sua prevalência é crescente globalmente, tornando seu diagnóstico e manejo precoces cruciais na prática clínica. A identificação dos critérios (obesidade abdominal, dislipidemia, hipertensão e hiperglicemia) é o primeiro passo para uma intervenção eficaz. A fisiopatologia envolve resistência à insulina, inflamação crônica e disfunção endotelial, que interagem para promover o desenvolvimento das comorbidades. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de pelo menos três dos cinco critérios estabelecidos. A suspeita deve surgir em pacientes com sobrepeso/obesidade e histórico familiar de doenças cardiovasculares ou diabetes, como no caso apresentado, onde a paciente tem múltiplos fatores de risco e histórico familiar relevante. O tratamento da Síndrome Metabólica é multifacetado, com a modificação do estilo de vida sendo a pedra angular. Isso inclui dieta balanceada, aumento da atividade física e perda de peso. A intervenção precoce pode reverter ou retardar a progressão para diabetes tipo 2 e reduzir o risco de eventos cardiovasculares, melhorando o prognóstico a longo prazo. O acompanhamento regular e a educação do paciente são essenciais para o sucesso terapêutico.
Os critérios diagnósticos para Síndrome Metabólica incluem obesidade abdominal (circunferência da cintura > 88 cm para mulheres, > 102 cm para homens), triglicerídeos ≥ 150 mg/dL, HDL-C < 50 mg/dL para mulheres (< 40 mg/dL para homens), pressão arterial ≥ 130/85 mmHg e glicemia de jejum ≥ 100 mg/dL. São necessários pelo menos três desses critérios.
A conduta inicial mais importante é a modificação do estilo de vida, que inclui dieta saudável (rica em fibras, com restrição de açúcares e gorduras saturadas), prática regular de atividade física e busca pela manutenção do peso ideal. Essas medidas são fundamentais para controlar os fatores de risco e prevenir complicações.
A Glicemia de Jejum Alterada (pré-diabetes) é diagnosticada com valores entre 100 e 125 mg/dL. O diagnóstico de Diabetes Mellitus tipo 2 é feito com glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL em duas ocasiões, ou glicemia casual ≥ 200 mg/dL com sintomas, ou teste de tolerância à glicose oral ≥ 200 mg/dL, ou HbA1c ≥ 6,5%.
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