PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2025
Mulher, 52 anos de idade, comparece ao ambulatório de clínica médica para avaliação. Refere cansaço aos grandes esforços e dificuldades para perder peso. Não faz uso de medicações. Mãe faleceu de infarto agudo do miocárdio aos 50 anos. Ao exame físico, apresenta-se com IMC: 31kg/m², circunferência abdominal: 98cm, PA: 140x90mmHg. Exames laboratoriais recentes mostram LDL: 190mg/dL, HDL: 38mg/dL, triglicerídeos: 250mg/dL, glicemia de jejum: 98mg/dL, insulina em jejum: 20mg/dL e HbA1c: 5,5%. Os exames foram repetidos, com resultados semelhantes.Responda conforme as Diretrizes da American Heart Association.Sobre o diagnóstico dessa paciente, pode-se afirmar:
Síndrome Metabólica → Resistência insulínica é o pilar central, mesmo com glicemia de jejum normal (<100 mg/dL).
A Síndrome Metabólica é diagnosticada pela presença de pelo menos 3 de 5 critérios (CA, TG, HDL, PA, Glicemia). A resistência à insulina é o elo fisiopatológico fundamental entre esses componentes.
A Síndrome Metabólica (SM) representa um conjunto de fatores de risco que aumentam significativamente a chance de desenvolvimento de Diabetes Mellitus tipo 2 e doenças cardiovasculares ateroscleróticas. A paciente do caso apresenta 4 critérios: Circunferência Abdominal (98 cm), Triglicerídeos (250 mg/dL), HDL baixo (38 mg/dL) e Pressão Arterial elevada (140/90 mmHg). Embora sua glicemia de jejum (98 mg/dL) esteja normal, o diagnóstico de SM está firmado. A compreensão da SM mudou o foco do tratamento isolado de fatores de risco para uma abordagem integrada do metabolismo. A obesidade visceral é o principal motor da resistência à insulina, que por sua vez orquestra as alterações lipídicas e pressóricas. O manejo clínico deve priorizar a perda de peso e atividade física, que atacam diretamente a causa base (resistência insulínica), além do controle farmacológico dos componentes individuais quando necessário.
De acordo com a American Heart Association (AHA) e o National Heart, Lung, and Blood Institute (NHLBI), o diagnóstico de Síndrome Metabólica requer a presença de pelo menos 3 dos seguintes 5 critérios: 1) Circunferência abdominal aumentada (≥ 102 cm em homens e ≥ 88 cm em mulheres); 2) Triglicerídeos elevados (≥ 150 mg/dL ou tratamento específico); 3) HDL-colesterol baixo (< 40 mg/dL em homens e < 50 mg/dL em mulheres); 4) Pressão arterial elevada (Sistólica ≥ 130 mmHg e/ou Diastólica ≥ 85 mmHg); 5) Glicemia de jejum elevada (≥ 100 mg/dL ou tratamento para diabetes).
Não, o LDL-colesterol elevado não é um critério para o diagnóstico da Síndrome Metabólica, apesar de ser um fator de risco cardiovascular crucial. A dislipidemia característica da síndrome metabólica, conhecida como dislipidemia aterogênica, é composta por níveis elevados de triglicerídeos e níveis baixos de HDL-colesterol, além da presença de partículas de LDL pequenas e densas (que não são medidas no perfil lipídico convencional). Portanto, um paciente pode ter LDL normal e ainda assim fechar critérios para Síndrome Metabólica.
A resistência à insulina é considerada o mecanismo fisiopatológico central da Síndrome Metabólica. Ela promove a lipólise no tecido adiposo, aumentando a oferta de ácidos graxos livres para o fígado, o que resulta em maior produção de VLDL (e consequentemente triglicerídeos) e redução do HDL. Além disso, a resistência insulínica contribui para a disfunção endotelial e ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, elevando a pressão arterial. Mesmo que a glicemia de jejum esteja abaixo de 100 mg/dL, a presença de hiperinsulinemia compensatória indica que o processo metabólico já está alterado.
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