USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Paciente, 43 anos, comparece ao ambulatório com queixa de tontura rotatória recorrente com duração de minutos a horas, associada à plenitude auricular e zumbido pior à direita. As crises não são desencadeadas por movimentos da cabeça. Nega náuseas, vômitos, escurecimento visual ou perda de consciência. A paciente conta ainda que, apesar do quadro se arrastar há 10 anos, no último ano notou que a sua audição vem flutuando, com períodos de melhora e piora, e que nota hipoacusia pior no ouvido direito. Nega tontura na consulta atual. Exame físico: BEG, corado, hidratado, acianótico, eupneico. Head-impulse test: sem sacada corretiva. Pesquisa de nistagmo: sem nistagmo espontâneo ou evocado pelo olhar. Pesquisa de desvio skew: sem desvio skew. Assinale a alternativa correta.
Vertigem episódica + plenitude auricular + zumbido + hipoacusia flutuante unilateral = Síndrome de Ménière.
A Síndrome de Ménière é caracterizada pela tríade de vertigem episódica, zumbido e plenitude auricular, frequentemente acompanhada de perda auditiva flutuante, geralmente unilateral. A ausência de tontura na consulta e o head-impulse test normal são achados compatíveis, pois a disfunção vestibular é episódica e não crônica ou central.
A Síndrome de Ménière é uma doença crônica do ouvido interno caracterizada por episódios recorrentes de vertigem, zumbido, plenitude auricular e perda auditiva flutuante, geralmente unilateral. A fisiopatologia está associada à hidropsia endolinfática, um acúmulo excessivo de endolinfa no labirinto membranoso, que leva a um aumento da pressão e disfunção das células ciliadas. É uma condição que impacta significativamente a qualidade de vida dos pacientes devido à imprevisibilidade e intensidade das crises. O diagnóstico é clínico, baseado na história dos sintomas característicos. A vertigem é rotatória, intensa e pode durar de minutos a horas, frequentemente acompanhada de náuseas e vômitos. A perda auditiva é neurossensorial, flutuante e tipicamente afeta as frequências baixas e médias, sendo confirmada por audiometria. O zumbido e a plenitude auricular são sintomas persistentes que pioram durante as crises. É importante notar que, entre as crises, o paciente pode estar assintomático, o que explica o head-impulse test normal e a ausência de nistagmo na consulta. O manejo da Síndrome de Ménière visa controlar os sintomas agudos e prevenir a recorrência das crises. Durante as crises, podem ser utilizados medicamentos como antieméticos, sedativos vestibulares e diuréticos. Para a prevenção, modificações dietéticas (restrição de sal e cafeína), diuréticos e, em casos refratários, tratamentos intratimpânicos (corticoides ou gentamicina) ou cirúrgicos (descompressão do saco endolinfático, neurectomia vestibular) podem ser considerados. A audiometria é fundamental para monitorar a progressão da perda auditiva e confirmar o diagnóstico.
Os critérios incluem dois ou mais episódios espontâneos de vertigem rotatória com duração de 20 minutos a 12 horas, perda auditiva flutuante confirmada por audiometria, zumbido e/ou plenitude auricular no ouvido afetado, e exclusão de outras causas.
A audiometria é essencial para documentar a perda auditiva neurossensorial flutuante, tipicamente de baixa a média frequência, que é um dos pilares diagnósticos da Síndrome de Ménière e ajuda a diferenciar de outras causas de vertigem.
A Síndrome de Ménière causa vertigem episódica de minutos a horas, associada a sintomas otológicos (zumbido, plenitude, hipoacusia), enquanto a VPPB causa vertigem de segundos, desencadeada por movimentos da cabeça, sem sintomas otológicos associados.
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