CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2023
Sobre um paciente com lesão combinada do núcleo do sexto nervo craniano e do fascículo longitudinal medial ipsolateral na ponte, é correto afirmar:
Lesão núcleo VI + FLM ipsilateral = Síndrome de um e meio → Apenas abdução contralateral preservada.
A síndrome de um e meio combina paralisia do olhar horizontal ipsilateral (lesão do núcleo do VI ou FRPP) com oftalmoplegia internuclear ipsilateral (lesão do FLM), restando apenas a abdução do olho oposto.
A síndrome de um e meio é um tópico clássico da neuro-oftalmologia que exige compreensão precisa da anatomia do tronco encefálico. O núcleo do VI nervo funciona como o centro do olhar horizontal ipsilateral; sua destruição impede que ambos os olhos olhem para o lado da lesão. O FLM é a via que conecta o núcleo do VI ao núcleo do III nervo contralateral para permitir a adução. Quando ambos são lesados do mesmo lado, o olho ipsilateral perde todo movimento horizontal e o olho contralateral perde a adução, sobrando apenas a abdução contralateral. Na prática clínica, identificar essa síndrome permite ao médico localizar a lesão na ponte dorsal. O manejo foca na investigação da causa base, sendo a RM o padrão-ouro. O prognóstico depende da etiologia, com casos isquêmicos podendo apresentar recuperação parcial, enquanto casos desmielinizantes dependem do controle da doença de base.
A síndrome de um e meio é caracterizada por uma paralisia completa do olhar horizontal ipsilateral à lesão (o 'um') somada a uma oftalmoplegia internuclear ipsilateral (o 'meio'). Na prática, o olho do lado da lesão permanece fixo na linha média para movimentos horizontais, enquanto o olho contralateral consegue apenas realizar a abdução (afastar-se do nariz), frequentemente acompanhada de nistagmo. Isso ocorre porque a lesão atinge o núcleo do sexto nervo (ou a formação reticular pontina paramediana), que coordena o olhar horizontal para aquele lado, e o fascículo longitudinal medial (FLM), que levaria o sinal para o músculo reto medial ipsilateral durante o olhar para o lado oposto. É uma síndrome clássica de localização pontina, frequentemente associada a AVC ou esclerose múltipla.
A síndrome de um e meio envolve uma lesão unilateral que afeta o núcleo do VI nervo (ou FRPP) e o FLM ipsilateral, resultando em apenas um movimento horizontal preservado (abdução contralateral). Já a WEBINO (Wall-Eyed Bilateral Internuclear Ophthalmoplegia) é caracterizada por uma oftalmoplegia internuclear bilateral, geralmente decorrente de uma lesão que afeta ambos os fascículos longitudinais mediais. Na WEBINO, ambos os olhos apresentam déficit de adução e exotropia em posição primária (olhar de parede), mas, diferentemente da síndrome de um e meio, não há uma paralisia completa do olhar conjugado horizontal de um dos lados, pois os núcleos dos sextos nervos estão tipicamente preservados. A distinção é anatômica e clínica, fundamental para localizar a extensão da lesão no tronco encefálico.
As causas da síndrome de um e meio variam significativamente conforme a faixa etária do paciente. Em pacientes jovens, a causa mais prevalente é a esclerose múltipla, devido a placas de desmielinização no tronco encefálico (ponte). Em pacientes idosos, a etiologia vascular isquêmica (AVC pontino) é a principal responsável, geralmente associada a fatores de risco como hipertensão e diabetes. Outras causas menos comuns incluem tumores de tronco (como gliomas de ponte), hemorragias pontinas, traumas cranioencefálicos e processos inflamatórios ou infecciosos (como neurosarcoidose ou romboencefalite). O diagnóstico etiológico requer obrigatoriamente a realização de exames de imagem, preferencialmente a ressonância magnética de crânio com ênfase em fossa posterior.
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