Síndrome de May-Thurner: Fisiopatologia e Diagnóstico

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Uma paciente de 28 anos, sem comorbidades conhecidas e usuária de anticoncepcional oral combinado há dois anos, procura atendimento médico com queixa de edema súbito, dor e sensação de peso em todo o membro inferior esquerdo. Ao exame físico, apresenta empastamento de panturrilha à esquerda e cacifo positivo até o nível da coxa, sem alterações no membro contralateral. A ultrassonografia Doppler confirmou o diagnóstico de trombose venosa profunda (TVP) acometendo os segmentos ilíaco e femoral comum à esquerda. Diante da epidemiologia e da lateralidade do quadro, o médico suspeita de uma condição anatômica predisponente conhecida como Síndrome de May-Thurner. Considerando a fisiopatologia desta síndrome, qual a alteração anatômica subjacente que justifica o quadro?

Alternativas

  1. A) Compressão da veia ilíaca comum esquerda pela artéria ilíaca comum direita contra o corpo vertebral.
  2. B) Compressão da veia renal esquerda entre a artéria mesentérica superior e a aorta abdominal.
  3. C) Compressão da veia poplítea pela cabeça medial do músculo gastrocnêmio durante a dorsiflexão.
  4. D) Compressão da veia subclávia entre a primeira costela e o músculo subclávio no estreito torácico.

Pérola Clínica

May-Thurner = Artéria ilíaca comum direita comprime veia ilíaca comum esquerda contra vértebra.

Resumo-Chave

A compressão extrínseca crônica da veia ilíaca esquerda gera lesão endotelial e estase, predispondo à TVP proximal, especialmente em mulheres jovens com outros fatores de risco.

Contexto Educacional

A Síndrome de May-Thurner, também conhecida como Síndrome de Cockett, é uma condição frequentemente subdiagnosticada que deve ser suspeitada em casos de TVP iliofemoral esquerda espontânea em pacientes jovens, predominantemente mulheres entre a segunda e quarta décadas de vida. A presença de fatores de risco adicionais, como gestação, desidratação ou uso de anticoncepcionais orais, frequentemente atua como o 'segundo golpe' que precipita o evento trombótico agudo em uma veia já estenosada. O tratamento na fase aguda foca na anticoagulação e, em casos de trombose extensa, pode envolver trombólise farmacomecânica. Contudo, a correção da causa base é essencial para prevenir a recorrência e a síndrome pós-trombótica grave. Isso geralmente é alcançado através da angioplastia venosa com implante de stent autoexpansível na veia ilíaca comum esquerda.

Perguntas Frequentes

Qual a tríade fisiopatológica da Síndrome de May-Thurner?

A síndrome baseia-se na compressão mecânica da veia ilíaca comum esquerda pela artéria ilíaca comum direita contra a coluna lombar (L5). Isso causa: 1) Estase venosa mecânica; 2) Lesão endotelial crônica devido à pulsação arterial contra a parede da veia; e 3) Formação de 'traves' ou 'webs' intraluminais fibróticas. Esses fatores compõem a Tríade de Virchow localizada, predispondo fortemente à trombose venosa profunda no membro inferior esquerdo.

Por que a síndrome é mais comum no lado esquerdo?

A lateralidade é estritamente anatômica. A artéria ilíaca comum direita cruza obrigatoriamente sobre a veia ilíaca comum esquerda para alcançar o membro inferior direito. Como a veia está posicionada entre a artéria e o corpo vertebral rígido, ela se torna o ponto de compressão. Embora existam variações anatômicas no lado direito, a Síndrome de May-Thurner clássica refere-se especificamente à obstrução do fluxo venoso ilíaco esquerdo.

Como é feito o diagnóstico definitivo?

O diagnóstico inicial costuma ser feito por Ultrassonografia Doppler, que identifica a TVP. No entanto, para visualizar a compressão venosa e as traves intraluminais, exames de imagem avançados são necessários, como Angiotomografia (angio-TC) ou Angiorressonância (angio-RM) de pelve. O padrão-ouro para avaliação hemodinâmica e planejamento terapêutico é a venografia invasiva associada ao ultrassom intravascular (IVUS), que permite medir o grau de estenose.

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