Síndrome de Marfan: Sinais Clínicos e Risco de Dissecção de Aorta

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mãe traz menino de 15 anos de idade ao consultório para solicitar atestado médico para a prática intensiva de basquete (5 vezes por semana; 2 horas por treino). Refere que ele é assintomático, e sempre foi alto e magro. No exame físico geral você detecta que o paciente tem pé chato, mede 190 cm, com envergadura de 200 cm e tem sinal de polegar e punhos, conforme figura anexa. O exame físico cardiovascular demonstra frequência cardíaca de 70 batimentos por minuto, pressão arterial em repouso de 11 O x 70 mmHg e a ausculta evidencia 2 bulhas rítmicas normofonéticas sem sopros. Baseado nestas informações, a conduta mais adequada seria:

Alternativas

  1. A) Não liberação pelo risco de hipertensão pulmonar.
  2. B) Liberação para atividade física.
  3. C) Não liberação pelo risco de arritmia.
  4. D) Não liberação pelo risco de dissecção de aorta.

Pérola Clínica

Sinais de Marfan (alto, magro, aracnodactilia) → alto risco de dissecção de aorta, contraindica atividade física intensa.

Resumo-Chave

O paciente apresenta múltiplos sinais clínicos sugestivos de Síndrome de Marfan (alta estatura, magreza, pé chato, envergadura > altura, sinais de polegar e punho positivos). A principal complicação cardiovascular da Síndrome de Marfan é a ectasia da raiz da aorta e o risco de dissecção aórtica, que pode ser fatal. Atividades físicas intensas e de contato são contraindicadas devido ao risco aumentado de ruptura aórtica.

Contexto Educacional

A Síndrome de Marfan é uma doença genética autossômica dominante do tecido conjuntivo, causada por mutações no gene FBN1, que codifica a fibrilina-1. Essa proteína é essencial para a integridade estrutural das fibras elásticas, e sua deficiência leva a manifestações multissistêmicas, afetando principalmente os sistemas esquelético, ocular e cardiovascular. O reconhecimento precoce dos sinais clínicos é fundamental para o manejo e prevenção de complicações graves. O paciente do caso apresenta características marcantes da síndrome, como alta estatura, magreza, pé chato, envergadura maior que a altura e os sinais de polegar e punho positivos (aracnodactilia). Embora assintomático, a principal preocupação na Síndrome de Marfan é o envolvimento cardiovascular, especialmente a ectasia da raiz da aorta e o risco aumentado de dissecção ou ruptura aórtica, que pode ser fatal. Devido ao risco iminente de dissecção de aorta, atividades físicas intensas, esportes de contato e exercícios que aumentam abruptamente a pressão arterial são estritamente contraindicados. A conduta mais adequada seria não liberar o paciente para a prática intensiva de basquete e encaminhá-lo para uma avaliação cardiológica completa, incluindo ecocardiograma para avaliar a raiz da aorta, e acompanhamento genético. O conhecimento dessas contraindicações é crucial para a segurança do paciente e para a prática médica responsável.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos que sugerem Síndrome de Marfan?

Os sinais incluem alta estatura, membros longos (aracnodactilia, sinal de polegar e punho positivo), pectus excavatum ou carinatum, escoliose, pé chato, luxação do cristalino e manifestações cardiovasculares como ectasia da raiz da aorta e prolapso da valva mitral.

Por que a dissecção de aorta é uma complicação grave na Síndrome de Marfan?

Pacientes com Marfan possuem uma fragilidade intrínseca do tecido conjuntivo, especialmente na parede da aorta, devido a mutações no gene FBN1 (fibrilina-1). Isso leva à dilatação progressiva da raiz da aorta e maior risco de dissecção ou ruptura, eventos que podem ser precipitados por esforço físico intenso.

Quais atividades físicas são contraindicadas para pacientes com Síndrome de Marfan?

Atividades físicas de alta intensidade, esportes de contato, levantamento de peso e exercícios isométricos são contraindicados devido ao aumento súbito da pressão arterial e estresse na parede aórtica, elevando o risco de dissecção. Atividades de baixo impacto, como caminhada ou natação leve, podem ser permitidas após avaliação cardiológica rigorosa.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo