Síndrome de Marfan: Subluxação do Cristalino e Retina

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2011

Enunciado

A alteração retiniana apresentada abaixo quando associada a subluxação do cristalino sugere:

Alternativas

  1. A) Síndrome de Alport
  2. B) Síndrome de Marfan
  3. C) Homocistinúria
  4. D) Anomalia de Peter

Pérola Clínica

Marfan = Subluxação superior do cristalino + risco ↑ de descolamento de retina.

Resumo-Chave

A Síndrome de Marfan é a causa hereditária mais comum de subluxação do cristalino (geralmente súpero-temporal), frequentemente associada a alterações retinianas como degeneração lattice e descolamento.

Contexto Educacional

A Síndrome de Marfan é uma desordem autossômica dominante do tecido conjuntivo causada por mutações no gene FBN1, que codifica a fibrilina-1. Esta proteína é essencial para a integridade das fibras zonulares que sustentam o cristalino. A ectopia lentis está presente em cerca de 60-80% dos pacientes afetados. O risco de descolamento de retina é significativamente maior nesta população devido à combinação de alta miopia, liquefação vítrea precoce e tração zonular anômala. O exame de mapeamento de retina periódico é crucial. O diagnóstico diferencial com a homocistinúria é vital, pois esta última exige restrição dietética e suplementação de vitamina B6 para evitar complicações sistêmicas fatais como o tromboembolismo.

Perguntas Frequentes

Qual a direção típica da subluxação do cristalino na Síndrome de Marfan?

Na Síndrome de Marfan, a ectopia lentis (subluxação do cristalino) ocorre classicamente na direção superior e temporal (súpero-temporal). Isso ocorre devido à fragilidade ou ruptura das fibras zonulares, que são compostas por fibrilina-1, a proteína mutada nesta síndrome. Diferente da homocistinúria, onde a subluxação é tipicamente inferior.

Quais são as outras alterações oculares comuns no paciente com Marfan?

Além da ectopia lentis, pacientes com Marfan frequentemente apresentam alta miopia axial, córneas excessivamente planas (queratometria reduzida), aumento do comprimento axial do globo ocular e hipoplasia do músculo dilatador da íris (dificultando a midríase). Essas alterações predispõem a degenerações periféricas da retina e descolamento de retina regmatogênico.

Como é feito o manejo da subluxação do cristalino no Marfan?

O manejo inicial é conservador, com correção óptica (óculos ou lentes de contato), muitas vezes utilizando a área fática ou a área afática da pupila. A cirurgia (lensectomia) é reservada para casos de redução importante da acuidade visual, luxação completa para a câmara anterior ou vítreo, indução de glaucoma secundário ou uveíte, ou quando o cristalino impede a visualização e tratamento de lesões retinianas.

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