Síndrome de Marfan: Herança Genética e Diagnóstico Clínico

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025

Enunciado

Homem, 23 anos de idade, apresenta alta estatura, pectus excavatum, escoliose, aracnodactilia, frouxidão ligamentar, luxação de cristalino em olho esquerdo e discreta dilatação de aorta ascendente. A história familiar revela que sua mãe tem luxação de cristalino bilateral e prolapso da valva mitral, enquanto uma irmã do paciente tem alta estatura, pectus excavatum, escoliose e prolapso da valva mitral. Considerando o diagnóstico mais provável, qual é o padrão de herança implicado nesta condição?

Alternativas

  1. A) Herança autossômica recessiva
  2. B) Herança autossômica dominante
  3. C) Herança mitocondrial
  4. D) Herança ligada ao X

Pérola Clínica

Síndrome de Marfan: doença do tecido conjuntivo, herança autossômica dominante, mutação FBN1.

Resumo-Chave

A Síndrome de Marfan é uma doença genética do tecido conjuntivo que afeta múltiplos sistemas, incluindo esquelético, ocular e cardiovascular. A presença de múltiplos indivíduos afetados em gerações sucessivas (mãe, paciente, irmã) com manifestações típicas (luxação de cristalino, alta estatura, pectus, aracnodactilia, dilatação aórtica) é altamente sugestiva de um padrão de herança autossômica dominante.

Contexto Educacional

A Síndrome de Marfan é uma doença genética rara do tecido conjuntivo, causada por mutações no gene FBN1, que codifica a fibrilina-1, uma glicoproteína essencial para a formação de fibras elásticas. Sua prevalência é de aproximadamente 1 em 5.000 a 10.000 indivíduos, afetando ambos os sexos e todas as etnias. O reconhecimento precoce é crucial devido ao risco de complicações graves, especialmente cardiovasculares. Clinicamente, a Síndrome de Marfan se manifesta com uma tríade clássica de envolvimento esquelético (alta estatura, aracnodactilia, pectus excavatum ou carinatum, escoliose), ocular (luxação do cristalino, miopia grave) e cardiovascular (dilatação da raiz da aorta, prolapso da valva mitral). O padrão de herança é autossômico dominante, o que significa que um único alelo mutado é suficiente para expressar a doença, e há um risco de 50% de transmissão para cada filho de um indivíduo afetado. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos Critérios de Ghent revisados, e pode ser confirmado por testes genéticos. O manejo é multidisciplinar e focado na prevenção e tratamento das complicações, com ênfase no monitoramento cardiovascular rigoroso para prevenir a dissecção aórtica. O aconselhamento genético é fundamental para as famílias afetadas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome de Marfan?

O diagnóstico da Síndrome de Marfan é baseado nos Critérios de Ghent revisados, que avaliam o envolvimento de múltiplos sistemas (esquelético, ocular, cardiovascular, pulmonar, pele e tegumentos, dura-máter) e a história familiar, além da presença de mutação no gene FBN1.

Qual a importância da dilatação da aorta na Síndrome de Marfan?

A dilatação da aorta ascendente e o risco de dissecção aórtica são as manifestações mais graves da Síndrome de Marfan, sendo a principal causa de morbidade e mortalidade. O acompanhamento cardiológico regular é fundamental para monitorar e intervir precocemente.

Como a herança autossômica dominante se manifesta na Síndrome de Marfan?

Na herança autossômica dominante, apenas uma cópia do gene alterado (FBN1) é suficiente para causar a doença. Isso significa que um indivíduo afetado tem 50% de chance de transmitir a condição a cada filho, independentemente do sexo, e a doença pode ser observada em várias gerações.

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