Síndrome de Mallory-Weiss: Diagnóstico e Conduta na HDA

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 35 anos é admitido no pronto atendimento devido a quadro de hematêmese. Refere viagem recente para o litoral, com retorno há 3 dias, após a qual desenvolveu quadro de infecção intestinal aguda com diarreia e vômitos desde então. Refere piora recente dos quadros de vômitos nas últimas 24 horas. Encontra-se hemodinamicamente estável e sem sinais de peritonite. Foi submetido à endoscopia digestiva alta após estabilização inicial que identificou uma laceração linear na região da transição esofagogástrica, sem sangramento ativo. Assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A localização mais comum desse tipo de lesão é junto à grande curvatura gástrica.
  2. B) A maioria dos casos apresenta sangramento recorrente, sendo indicada abordagem cirúrgica em caso de recorrência.
  3. C) A embolização angiográfica da lesão constitui a primeira linha de tratamento em caso de ressangramento.
  4. D) Durante a endoscopia, a realização de biópsias é imprescindível para afastar a suspeita de neoplasia.
  5. E) A maioria dos casos é autolimitada e apresenta resolução espontânea após 72 horas.

Pérola Clínica

Mallory-Weiss = Laceração linear na transição EG após vômitos vigorosos → Conduta expectante (90% autolimitada).

Resumo-Chave

A Síndrome de Mallory-Weiss ocorre devido ao aumento súbito da pressão intra-abdominal, causando lacerações na mucosa da junção esofagogástrica. A maioria dos sangramentos cessa espontaneamente sem intervenção invasiva.

Contexto Educacional

A Síndrome de Mallory-Weiss é responsável por cerca de 5% a 15% dos casos de hemorragia digestiva alta. O perfil clássico é o paciente que apresenta vômitos não hemáticos seguidos de hematêmese. Embora assustadora, a evolução clínica é favorável na vasta maioria dos casos, com cicatrização da mucosa em 48 a 72 horas. O tratamento foca na estabilização hemodinâmica, uso de inibidores de bomba de prótons (IBP) para auxiliar na cicatrização e antieméticos para cessar o estímulo mecânico. O prognóstico é excelente, com baixas taxas de recorrência, a menos que o fator precipitante (como alcoolismo ou distúrbios alimentares) persista.

Perguntas Frequentes

Qual o mecanismo fisiopatológico da Síndrome de Mallory-Weiss?

A síndrome é causada por um aumento súbito e vigoroso da pressão intragástrica ou intra-abdominal, geralmente secundário a episódios repetidos de vômitos, náuseas ou tosse intensa. Esse gradiente de pressão causa uma distensão abrupta da junção esofagogástrica, levando a lacerações longitudinais (lineares) que envolvem a mucosa e a submucosa, mas não a parede total (diferente da Síndrome de Boerhaave). A localização mais comum é logo abaixo da linha Z, na pequena curvatura gástrica ou na transição esofagogástrica.

Como é feito o diagnóstico definitivo?

O diagnóstico é essencialmente endoscópico. A endoscopia digestiva alta (EDA) identifica lacerações longitudinais únicas ou múltiplas, frequentemente com estigmas de sangramento recente ou coágulos aderidos. É fundamental realizar a EDA precocemente em pacientes com hematêmese para descartar outras causas de HDA, como úlceras pépticas ou varizes esofágicas. Na Mallory-Weiss, a biópsia não é necessária e pode até aumentar o risco de sangramento, a menos que haja suspeita de uma lesão neoplásica subjacente atípica.

Quando intervir terapeuticamente na Mallory-Weiss?

A intervenção é reservada para casos com sangramento ativo no momento da endoscopia ou instabilidade hemodinâmica persistente. As opções terapêuticas endoscópicas incluem injeção de adrenalina, eletrocoagulação multipolar, termocoagulação (argon plasma) ou, mais comumente, a aplicação de hemoclipes, que apresentam alta eficácia. A cirurgia (gastrotomia com sutura da laceração) ou a embolização angiográfica são raramente necessárias, indicadas apenas em falhas terapêuticas endoscópicas repetidas em sangramentos maciços.

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