UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Homem, 35 anos de idade, em tratamento para câncer colorretal, relata que sua mãe faleceu aos 40 anos devido a câncer de endométrio e que seu avô materno teve câncer do trato urotelial aos 50 anos. O quadro clínico e história familiar sugerem:
Câncer colorretal + Endométrio + Urotelial em gerações sucessivas = Síndrome de Lynch (Autossômica Dominante).
A Síndrome de Lynch é causada por mutações germinativas em genes de reparo de pareamento errôneo (MMR), apresentando herança autossômica dominante com alta penetrância.
A Síndrome de Lynch, anteriormente chamada de HNPCC, é a causa mais comum de câncer colorretal hereditário. A fisiopatologia baseia-se na perda de função dos genes MMR, levando ao acúmulo de mutações em sequências repetitivas de DNA conhecidas como microssatélites. O reconhecimento da história familiar é crucial, pois pacientes identificados necessitam de rastreamento intensivo, como colonoscopias anuais ou bienais começando precocemente. A herança é autossômica dominante com variante germinativa em heterozigose, o que explica a ocorrência da doença em múltiplas gerações e em idades precoces, como observado no caso clínico apresentado (mãe com câncer de endométrio aos 40 e avô com câncer urotelial).
Os principais genes afetados são os do sistema de reparo de DNA (Mismatch Repair - MMR): MLH1, MSH2, MSH6 e PMS2. Mutações germinativas nesses genes levam à incapacidade de corrigir erros de replicação, resultando em instabilidade de microssatélites (MSI) e um risco significativamente aumentado de malignidades.
Significa que a presença de apenas um alelo mutado (heterozigose) é suficiente para conferir a predisposição ao câncer. Cada filho de um portador tem 50% de chance de herdar a mutação. Na Síndrome de Lynch, embora a mutação seja herdada de forma dominante, a perda do segundo alelo (teoria de Knudson) na célula somática é necessária para a carcinogênese.
São critérios clínicos usados para identificar famílias com suspeita de Lynch: 3 ou mais parentes com câncer associado (colorretal, endométrio, intestino delgado, ureter ou pelve renal), sendo um parente de primeiro grau dos outros dois, em pelo menos 2 gerações sucessivas, com pelo menos um diagnóstico antes dos 50 anos.
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