Síndrome de Lynch e Câncer de Endométrio: Manejo Clínico

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Heloísa, 43 anos, nuligesta, procura atendimento médico devido a quadro de sangramento uterino anormal persistente há cerca de oito meses. Durante a anamnese, a paciente relata que seu pai foi diagnosticado com câncer colorretal aos 45 anos e uma irmã mais velha tratou um câncer de endométrio aos 42 anos. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, com IMC de 28 kg/m². A ultrassonografia transvaginal evidenciou útero de volume normal, porém com endométrio espessado (14 mm) e ecogenicidade irregular. Foi realizada biópsia endometrial por curetagem uterina, cujo laudo histopatológico revelou adenocarcinoma endometrioide, FIGO grau 1. A análise por imuno-histoquímica das proteínas de reparo do DNA (MMR) no tecido tumoral demonstrou perda de expressão de MSH2 e MSH6, com expressão preservada de MLH1 e PMS2. A ressonância magnética de pelve para estadiamento sugere tumor restrito ao corpo uterino, com invasão miometrial inferior a 50%, sem evidências de acometimento cervical ou linfonodal. Diante do quadro clínico, do perfil molecular e do histórico familiar, a conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Histerectomia total com salpingo-oforectomia bilateral, mapeamento de linfonodo sentinela e solicitação de colonoscopia imediata para rastreio de neoplasias sincrônicas.
  2. B) Histerectomia total extrafascial com preservação ovariana bilateral devido à idade da paciente, seguida de linfadenectomia pélvica e paraórtica completa por estadiamento.
  3. C) Tratamento conservador com progesterona de alta dose e sistema intrauterino de levonorgestrel, com reavaliação endometrial trimestral para preservação da fertilidade.
  4. D) Histerectomia total abdominal associada a anexectomia bilateral e omentectomia regrada, seguida de quimioterapia adjuvante com carboplatina e paclitaxel.

Pérola Clínica

Perda de MSH2/MSH6 + Câncer Endométrio + História Familiar → Síndrome de Lynch. Conduta: Cirurgia + Colonoscopia.

Resumo-Chave

A perda de expressão de proteínas de reparo (MMR) em pacientes jovens com câncer de endométrio sinaliza Síndrome de Lynch, exigindo rastreio de tumores sincrônicos/metacrônicos, especialmente colorretal.

Contexto Educacional

A Síndrome de Lynch é uma condição autossômica dominante causada por mutações nos genes de reparo do DNA (MLH1, MSH2, MSH6, PMS2). Em mulheres, o risco de câncer de endométrio iguala ou supera o risco de câncer colorretal. O diagnóstico histopatológico de adenocarcinoma endometrioide em pacientes com menos de 50 anos deve sempre levantar a suspeita. A imuno-histoquímica para proteínas MMR é o primeiro passo na triagem universal. O manejo cirúrgico envolve a retirada do útero e anexos, enquanto o estadiamento linfonodal evoluiu para o uso de linfonodo sentinela. A integração com o rastreio colorretal é mandatória para a sobrevivência a longo prazo dessas pacientes.

Perguntas Frequentes

O que indica a perda de MSH2 e MSH6 na imuno-histoquímica?

A perda de expressão das proteínas MSH2 e MSH6 por imuno-histoquímica é um marcador de instabilidade de microssatélites (MSI-H) e é altamente sugestiva de Síndrome de Lynch (HNPCC). Diferente da perda de MLH1, que pode ser esporádica por metilação do promotor, a perda de MSH2/MSH6 quase sempre indica uma mutação germinativa, exigindo aconselhamento genético e rastreio sistêmico para outros tumores, principalmente colorretal.

Qual o tratamento padrão para câncer de endométrio FIGO grau 1?

O tratamento padrão para o adenocarcinoma endometrioide FIGO grau 1, restrito ao corpo uterino (Estádio IA), é a histerectomia total extrafascial com salpingo-oforectomia bilateral. Atualmente, o mapeamento de linfonodo sentinela é a técnica preferencial para avaliação linfonodal em casos de baixo risco/risco intermediário, substituindo a linfadenectomia completa em muitos protocolos para reduzir morbidade.

Por que solicitar colonoscopia imediata neste caso?

Pacientes com Síndrome de Lynch têm um risco significativamente aumentado de desenvolver câncer colorretal ao longo da vida (até 80%). Frequentemente, o câncer de endométrio é o 'tumor sentinela' (o primeiro a aparecer). Dada a forte suspeita clínica e molecular, a colonoscopia é essencial para descartar uma neoplasia colorretal sincrônica que alteraria o planejamento cirúrgico e o prognóstico.

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