Síndrome de Lynch: Diagnóstico e Implicações Clínicas

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem de 56 anos vem apresentando alteração do hábito intestinal, dor abdominal e hematoquezia há 3 meses. Realizou colonoscopia que evidenciou uma lesão vegetante ulcerada no cólon ascendente com 3,0 cm e outra lesão com 2,0 cm no cólon transverso, apresentando as mesmas características. As biópsias das lesões foram compatíveis com adenocarcinoma pouco diferenciado. Estudo imuno-histoquímico mostrou mutação de genes MLH1, MSH2, MSH6, PMS2 e EPCAM. O paciente informou que o pai teve câncer de cólon aos 52 anos e a irmã, aos 48 anos. O quadro clínico é sugestivo de

Alternativas

  1. A) polipose adenomatosa familiar (PAF).
  2. B) síndrome de Turcot.
  3. C) síndrome de Lynch (HNPCC).
  4. D) síndrome de Gardner.
  5. E) tumores carcinóides do cólon.

Pérola Clínica

Síndrome de Lynch = câncer colorretal precoce, múltiplos tumores, histórico familiar e mutações em genes MMR (MLH1, MSH2, MSH6, PMS2) ou EPCAM.

Resumo-Chave

A Síndrome de Lynch (HNPCC) é uma condição autossômica dominante que predispõe a múltiplos cânceres, principalmente colorretal e endometrial, em idades mais jovens. É caracterizada por mutações em genes de reparo de DNA (MMR), como MLH1, MSH2, MSH6 e PMS2, ou no gene EPCAM, levando à instabilidade de microssatélites e ao desenvolvimento tumoral.

Contexto Educacional

A Síndrome de Lynch, anteriormente conhecida como Câncer Colorretal Hereditário Não Polipose (HNPCC), é uma das síndromes de câncer hereditário mais comuns, responsável por cerca de 3% dos casos de câncer colorretal. É uma condição autossômica dominante caracterizada por um risco significativamente aumentado de desenvolver câncer colorretal e outros tumores, como o de endométrio, ovário, estômago, trato urinário, intestino delgado, trato biliar e cérebro, geralmente em idades mais jovens do que na população geral. A fisiopatologia da Síndrome de Lynch envolve mutações germinativas em um dos genes de reparo de DNA (MMR - Mismatch Repair), sendo os mais comuns MLH1, MSH2, MSH6 e PMS2, ou no gene EPCAM. Essas mutações levam a um defeito na capacidade da célula de corrigir erros durante a replicação do DNA, resultando em instabilidade de microssatélites (MSI) e acúmulo de mutações que podem levar à carcinogênese. O diagnóstico é suspeitado por critérios clínicos (como os de Amsterdam ou Bethesda) e confirmado por testes genéticos e imuno-histoquímica dos tumores. O manejo de pacientes com Síndrome de Lynch inclui rastreamento intensivo para câncer colorretal (colonoscopia a cada 1-2 anos a partir dos 20-25 anos) e para outros cânceres associados, além de aconselhamento genético. O conhecimento dessa síndrome é crucial para residentes, pois permite a identificação precoce de indivíduos em risco, a implementação de estratégias de prevenção e rastreamento eficazes, e a oferta de tratamento adequado, impactando diretamente a morbidade e mortalidade desses pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais características clínicas da Síndrome de Lynch?

A Síndrome de Lynch é caracterizada por câncer colorretal em idade jovem (geralmente antes dos 50 anos), múltiplos tumores colorretais (síncronos ou metacrônicos), localização preferencial no cólon direito e um espectro de outros cânceres associados, como endometrial, gástrico, ovário e trato urinário.

Qual o papel da imuno-histoquímica no diagnóstico da Síndrome de Lynch?

A imuno-histoquímica é crucial para rastrear a Síndrome de Lynch, detectando a perda de expressão das proteínas dos genes de reparo de DNA (MLH1, MSH2, MSH6, PMS2) nos tecidos tumorais. Essa perda de expressão sugere a presença de uma mutação germinativa subjacente, que deve ser confirmada por testes genéticos.

Como o histórico familiar contribui para o diagnóstico da Síndrome de Lynch?

O histórico familiar é um pilar diagnóstico, sendo incorporado em critérios como os de Amsterdam e Bethesda. A presença de múltiplos casos de câncer colorretal ou outros cânceres associados à Síndrome de Lynch em parentes de primeiro grau, especialmente em idades jovens, levanta forte suspeita e indica a necessidade de investigação genética.

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