QT Longo Adquirido: Riscos de Azitromicina e Hidroxicloroquina

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 29 anos de idade é admitida na unidade de emergência com queixa de desconforto torácico inespecífico e palpitações há 2 horas. Nega dor torácica, dispneia ou outros sintomas no momento. Relata que na última semana apresentou quadro de odinofagia, congestão nasal e febre baixa (38,5°C). Na ocasião, foi atendida na unidade básica de saúde, sendo prescrito uso de azitromicina por cinco dias. Adicionalmente, tem antecedente de lúpus eritematoso sistêmico, bem controlado com uso de hidroxicloroquina 400mg/dia. Ao exame físico, apresenta pressão arterial de 110/80mmHg, frequência cardíaca entre 135 e 140bpm, tempo de enchimento capilar de 1 segundo, frequência respiratória de 22ipm e saturação de oxigênio de 97% em ar ambiente. Sem outras alterações. O eletrocardiograma da admissão pode ser visto na figura a seguir:Qual é a alteração elétrica cardíaca que desencadeou a alteração vista no eletrocardiograma?

Alternativas

  1. A) Bloqueio atrioventricular avançado
  2. B) Síndrome do QT longo adquirido
  3. C) Síndrome de Wolff-Parkinson-White
  4. D) Síndrome de Brugada tipo 2
  5. E) Displasia arritmogênica do ventrículo direito

Pérola Clínica

Medicamentos como azitromicina e hidroxicloroquina podem prolongar o QT, aumentando risco de Torsades de Pointes.

Resumo-Chave

A Síndrome do QT longo adquirido é uma condição grave que pode levar a arritmias ventriculares malignas, como Torsades de Pointes. Medicamentos como macrolídeos (azitromicina) e antimaláricos (hidroxicloroquina), especialmente em combinação, são causas comuns de prolongamento do intervalo QT.

Contexto Educacional

A Síndrome do QT longo é uma condição que predispõe a arritmias ventriculares graves, como a Torsades de Pointes, que podem levar à morte súbita. Pode ser congênita (rara) ou, mais frequentemente, adquirida devido a distúrbios eletrolíticos (hipocalemia, hipomagnesemia) ou uso de medicamentos. Diversos fármacos são conhecidos por prolongar o intervalo QT, incluindo alguns antibióticos (macrolídeos como azitromicina), antiarrítmicos, antidepressivos e antimaláricos (hidroxicloroquina). A combinação de múltiplos agentes com esse efeito, ou a presença de fatores de risco subjacentes (como a doença autoimune da paciente ou distúrbios eletrolíticos), aumenta significativamente o risco. O diagnóstico é feito pelo ECG, medindo o intervalo QT corrigido (QTc). Um QTc > 450 ms em homens e > 470 ms em mulheres é considerado prolongado. O manejo envolve a suspensão dos medicamentos causadores, correção de distúrbios eletrolíticos e, em casos de arritmias, uso de sulfato de magnésio e, se necessário, cardioversão. A educação sobre os riscos é fundamental para pacientes em uso crônico de medicamentos com potencial de prolongamento do QT.

Perguntas Frequentes

Quais medicamentos podem causar prolongamento do intervalo QT?

Diversos medicamentos podem prolongar o intervalo QT, incluindo antibióticos macrolídeos (azitromicina), fluoroquinolonas, antiarrítmicos (amiodarona, sotalol), antidepressivos tricíclicos, antipsicóticos, e antimaláricos como a hidroxicloroquina. A lista é extensa e deve ser consultada.

Como monitorar o intervalo QT em pacientes usando medicamentos de risco?

O monitoramento envolve a realização de eletrocardiogramas (ECG) seriados para medir o intervalo QT corrigido (QTc). É importante avaliar os eletrólitos (potássio, magnésio, cálcio) e evitar a combinação de múltiplos fármacos que prolongam o QT, se possível.

Quais são os sintomas e a conduta inicial na Síndrome do QT longo?

Os sintomas podem incluir palpitações, tontura, síncope e, em casos graves, convulsões ou morte súbita. A conduta inicial envolve a suspensão imediata dos medicamentos causadores, correção de distúrbios eletrolíticos e, se houver arritmia (Torsades de Pointes), administração de sulfato de magnésio e, se necessário, cardioversão elétrica.

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