FJG - Fundação João Goulart / SMS Rio de Janeiro — Prova 2015
A arritmia ventricular que ocorre caracteristicamente durante o sono ou no repouso, tendo como apresentação eletrocardiográfica a elevação do segmento ST em V1 a V3, e que pode ser desencadeada pela febre ou uso de medicamentos bloqueadores dos canais de sódio, é:
Síndrome do QT longo (LQT3) pode manifestar arritmias no repouso/sono, associada a disfunção de canais de sódio.
A Síndrome do QT longo é uma canalopatia cardíaca que predispõe a arritmias ventriculares, como Torsades de Pointes. Algumas variantes, como a LQT3, são caracterizadas por disfunção dos canais de sódio e podem ter eventos arrítmicos durante o repouso ou sono, sendo exacerbadas por bradicardia ou certos medicamentos.
A Síndrome do QT longo (SQTL) é uma canalopatia cardíaca hereditária ou adquirida, caracterizada por um prolongamento do intervalo QT no eletrocardiograma, que predispõe a arritmias ventriculares graves, como a Torsades de Pointes, e ao risco de morte súbita cardíaca. É crucial para o residente reconhecer essa condição devido à sua letalidade potencial e à necessidade de manejo específico. Existem diferentes genótipos da SQTL, sendo os mais comuns LQT1, LQT2 e LQT3. A LQT3, especificamente, é causada por mutações no gene SCN5A, que codifica um canal de sódio cardíaco, resultando em uma corrente de sódio tardia prolongada. Pacientes com LQT3 frequentemente apresentam eventos arrítmicos durante o repouso ou sono, quando a bradicardia pode exacerbar a disfunção do canal. O diagnóstico da SQTL baseia-se no ECG (QTc prolongado), história clínica (síncope, convulsões, morte súbita na família) e, por vezes, teste genético. O tratamento envolve betabloqueadores (exceto em LQT3, onde mexiletina pode ser considerada), evitar medicamentos que prolongam o QT e, em casos de alto risco, implante de cardiodesfibrilador implantável (CDI). A elevação do segmento ST em V1-V3, mencionada na questão, é uma característica da Síndrome de Brugada e não da SQTL, o que indica uma possível imprecisão no enunciado da questão.
O principal achado é o prolongamento do intervalo QT corrigido (QTc), geralmente acima de 440 ms em homens e 460 ms em mulheres, além de alterações na morfologia da onda T e presença de ondas U.
Os tipos mais comuns são LQT1 (associada a exercício, canais de potássio), LQT2 (associada a estresse emocional/auditivo, canais de potássio) e LQT3 (associada a repouso/sono, canais de sódio).
Vários medicamentos podem prolongar o intervalo QT e devem ser evitados, incluindo alguns antiarrítmicos, antibióticos (macrolídeos, fluoroquinolonas), antifúngicos azólicos, anti-histamínicos e psicotrópicos. A lista é extensa e deve ser consultada.
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