Manejo da Síndrome do QT Longo na Emergência

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Adolescente, 13a, portador de Síndrome do QT longo, em uso de beta bloqueador, é trazido à Emergência Pediátrica após síncope durante jogo de basquetebol. Ao exame físico inicial apresenta sinais de baixo débito sistêmico e, durante a monitorização, foi obtido o traçado eletrocardiográfico abaixo: Qual a conduta inicial?

Alternativas

  1. A) Expansão volêmica e iniciar adrenalina contínua.
  2. B) Intubação e sedação com morfina.
  3. C) Prescrever beta bloqueador endovenoso e magnésio.
  4. D) Cardioversão elétrica.

Pérola Clínica

Síncope + QT longo + Baixo débito → Cardioversão elétrica imediata (estabilização).

Resumo-Chave

Em pacientes com Síndrome do QT Longo que apresentam taquiarritmias ventriculares instáveis, a prioridade é a restauração do ritmo via choque, seguida de suporte farmacológico.

Contexto Educacional

A Síndrome do QT Longo (SQTL) é uma canalopatia arritmogênica caracterizada pelo prolongamento do intervalo QT e risco aumentado de Torsades de Pointes (TV polimórfica). Em adolescentes, eventos sincopais durante o exercício físico são sinais de alerta críticos para arritmias ventriculares malignas. O manejo agudo segue os protocolos de PALS/ACLS: se houver pulso mas com instabilidade, realiza-se a cardioversão sincronizada; se não houver pulso, desfibrilação. Após a estabilização inicial, a investigação deve focar na correção de distúrbios eletrolíticos (K+ e Mg++), revisão de drogas que prolongam o QT e avaliação da necessidade de um Cardioversor Desfibrilador Implantável (CDI), especialmente em pacientes que já sofreram parada cardíaca ou síncope em uso de terapia otimizada.

Perguntas Frequentes

Quando indicar cardioversão na Síndrome do QT Longo?

A cardioversão elétrica (ou desfibrilação, se o ritmo for não chocável/FV) está indicada sempre que houver instabilidade hemodinâmica, como sinais de baixo débito sistêmico, hipotensão, alteração do nível de consciência ou insuficiência respiratória decorrente da taquiarritmia ventricular.

Qual o papel do magnésio no Torsades de Pointes?

O sulfato de magnésio endovenoso é o tratamento de escolha para estabilizar o potencial de membrana e prevenir recorrências de Torsades de Pointes, mesmo em pacientes com níveis séricos normais de magnésio. No entanto, ele não substitui o choque em pacientes instáveis.

Por que o beta-bloqueador é usado nesses pacientes?

Os beta-bloqueadores (especialmente nadolol ou propranolol) são a base da terapia crônica na SQTL tipos 1 e 2, pois reduzem o risco de arritmias desencadeadas por estímulo adrenérgico (exercício ou susto). Na emergência, seu uso deve ser cauteloso se houver bradicardia.

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