Síndrome de Löffler: Diagnóstico Diferencial na Pneumonia Infantil

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Santarém — Prova 2018

Enunciado

Menina de 5 anos foi internada com diagnóstico de pneumonia segmentar a direita,  em uso de penicilina cristalina há 72 horas e mantém desconforto respiratório. Foi submetida a nova radiografia que evidenciou desaparecimento da opacidade a D e surgimento de opacidade em lígula. Exame físico FR de 45 irpm, FC de 96 bpm, murmúrio vesicular presente e simétrico bilateralmente com sibilos difusos. Hemograma com Hb 10,2 g/dl, leucócitos de 15200 (4% bastões, 36 % de segmentados, 30% eosinofilos, 25 % linfócitos e 5% monócitos) e plaquetas 550000/mm3 . Os agentes etimológicos mais prováveis são:

Alternativas

  1. A) Chlamydia trachomatis e Strongyloides stercoralis.
  2. B) hlamydia trachomatis e Mycoplasma pneumoniae.
  3. C) Mycoplasma pneumoniae e Streptococos pneumoniae.
  4. D) Ancylostoma duodenal e Schistossoma mansoni.
  5. E) Mycoplasma pneumoniae e Ascaris lumbricoides.

Pérola Clínica

Pneumonia com infiltrados migratórios, eosinofilia e sibilos, refratária a ATB, sugere Síndrome de Löffler por parasitoses.

Resumo-Chave

A persistência de desconforto respiratório após 72h de penicilina, associada a infiltrados pulmonares migratórios e eosinofilia acentuada no hemograma (30% eosinófilos), é altamente sugestiva de Síndrome de Löffler, frequentemente causada por migração pulmonar de larvas de helmintos como *Ancylostoma duodenale* e *Schistosoma mansoni*.

Contexto Educacional

A pneumonia em crianças é um desafio diagnóstico, e a falta de resposta à antibioticoterapia padrão deve levantar a suspeita de etiologias atípicas. A Síndrome de Löffler é uma condição pulmonar caracterizada por infiltrados pulmonares transitórios e eosinofilia periférica, frequentemente associada à migração de larvas de helmintos através dos pulmões. Embora geralmente autolimitada, é crucial reconhecê-la para evitar tratamentos desnecessários e direcionar a investigação. A fisiopatologia da Síndrome de Löffler envolve uma reação de hipersensibilidade aos antígenos parasitários durante sua passagem pelos pulmões. Os parasitas mais comumente associados incluem *Ascaris lumbricoides*, *Ancylostoma duodenale*, *Necator americanus* e *Strongyloides stercoralis*. Os sintomas respiratórios podem variar de leves a moderados, incluindo tosse seca, sibilos e dispneia. O diagnóstico é sugerido pela clínica, radiografia de tórax com infiltrados migratórios e hemograma com eosinofilia. O tratamento da Síndrome de Löffler é primariamente sintomático, pois a condição é frequentemente autolimitada. No entanto, o tratamento antiparasitário específico é indicado para erradicar a infecção subjacente e prevenir futuras migrações. É fundamental considerar a história epidemiológica do paciente, como viagens ou exposição a áreas endêmicas, para guiar a investigação parasitológica (exame parasitológico de fezes).

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da Síndrome de Löffler?

A Síndrome de Löffler é caracterizada por infiltrados pulmonares migratórios e transitórios, eosinofilia periférica e sintomas respiratórios leves a moderados, como tosse, sibilos e dispneia, geralmente autolimitados.

Quais parasitas podem causar a Síndrome de Löffler?

Diversos helmintos podem causar a Síndrome de Löffler durante sua fase de migração pulmonar, incluindo *Ascaris lumbricoides*, *Ancylostoma duodenale*, *Necator americanus* (ancilostomídeos) e *Strongyloides stercoralis*.

Como diferenciar a Síndrome de Löffler de outras pneumonias?

A diferenciação se baseia na presença de eosinofilia acentuada, infiltrados pulmonares que mudam de localização rapidamente e a ausência de resposta a antibióticos comuns, além da história epidemiológica de exposição a parasitas.

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